A justiça brasileira ordenou, na terça-feira, a detenção de mais três polícias militares implicados na morte do pedreiro Amarildo, que foi dado como desaparecido desde 14 de julho.

Ao todo, já estão acusados 25 militares de envolvimento na morte do pedreiro da Rocinha. Os moradores da favela sempre reivindicaram à polícia revelasse o paradeiro de Amarildo, com manifestações e protestos, mas os militares da UPP negaram qualquer responsabilidade.

O Ministério Público concluiu em sentido contrário. Os polícias são alegadamente responsáveis pela morte do pedreiro, que não resistiu à sessão de tortura. Quatro deles terão sido os executores, incluindo o subcomandante e um tenente.

«Os quatros sufocaram o pedreiro com sacos de plástico e baldes com água e também terão dado choques elétricos», conta o «Globo».

Para estas acusações foram determinantes os testemunhos de cinco polícias que resolveram colaborar com a investigação.

«Essa tortura, segundo as testemunhas, durou cerca de 40 minutos. Durante esse tempo, a vítima, o Amarildo, pedia para parar, sussurrava, pedia socorro e esclarecia que não sabia de nada», afirmou a procuradora citada pelo «Globo».

Os polícias desfizeram-se do corpo e aproveitaram que as ligações de um traficante estavam sob escuta para o incriminar pela morte, referindo-se a Amarildo como o «boi» e que «já estava na sua conta». Mas, a comparação das vozes feita pelo Ministério Público provou que a voz era de um polícia.

É o princípio do fim do mistério do desaparecimento do pedreiro.

Amarildo, 47 anos, nasceu e morreu na favela da Rocinha.