O copiloto do Airbus 320 que se despenhou nos Alpes franceses terá sofrido de depressão.

A revelação está a ser avançada por um correpondente da revista alemã  «Der Spiegel», Matthias Gebauer, que afirma que Andreas Lubitz interrompeu a formação na escola da Lufthansa em 2009 devido a um síndroma depressivo.
 
Ainda em relação a este novo dado, a mãe de uma colega de escola de Lubitz terá confirmado isto mesmo aos jornalistas alemães, afirmando que, na altura do curso, o piloto contou que tinha feito uma pausa na formação por sofrer de uma crise nervosa, escreve o «The Telegraph».

Uma depressão que aparentemente a Lufthansa desconhecia. Na manhã desta quinta-feira, o diretor da companhia comunicou aos jornalistas que Andreas interrompeu a formação de piloto por «vários meses», mas nunca justificou o motivo para a pausa.

A informação surge no seguimento da revelação brutal de que o copiloto teve intenção de destruir o avião, feita esta manhã pelo procurador Brice Robin.

Também esta quinta-feira surgiu um novo dado sobre o acidente: o comando de piloto automático foi reprogramado por alguém no cockpit para descer de uma altitude de 11.500 metros para apenas 30 metros. A informação foi avançada pelo site Flightradar24.

Andreas Lubitz tinha 28 anos. Era o copiloto do voo da Germanwings que se despenhou nos Alpes franceses, causando a morte a 150 pessoas. Lubitz era natural de Montabaur, na Alemanha, e não são conhecidas as motivações que levaram a fechar-se no cockpit do voo 9525.

Sabe-se também que a experiência de Andreas não era muita. Tinha 630 horas de voo e estava ao serviço desde setembro de 2013. A pilotar o modelo acidentado, o A320, tinha apenas cem horas de voo, como adiantou o procurador de Marselha, Brice Robin.

Brice Robin garantiu ainda aos jornalistas que o piloto «tinha capacidade e estava apto a conduzir o avião».

Andreas Lubitz vivia com os pais em Montabaur, uma vila situada entre Frankfurt e Bona, na Alemanha. Ainda assim, o piloto tinha uma vivenda em Dusseldorf, informação confirmada pela presidente da Câmara de Mantabaur.

A televisão italiana RTL falou com um membro do aeroclube LSC Westerwald, do qual Andreas Lubitz fazia parte e onde fez a formação inicial. Peter Rocker disse à RTL que Andreas era «um homem normal, uma pessoa muito calma e rigorosa». O membro do clube adiantou ainda que Andreas «estava muito feliz por ter esta profissão. Parecia realizado depois de ter alcançado o que queria. Não o acredito capaz de uma coisa destas». 

Antes de se conhecerem as conclusões à análise da caixa negra, que apontam para a queda intencional do aparelho,
o clube LSC tinha feito uma declaração no site a lamentar a situação: «Andreas realizou o seu sonho, o sonho que pagou agora com a vida».

Na manhã desta quinta-feira, em conferência de imprensa, o presidente da Lufthansa Carsten Spohr garantiu aos jornalistas que não houve nenhuma falha no exame psicotécnico do piloto.

«Os que nos conhecem sabem que recrutamos os nossos pilotos com muita atenção».


A Lufthansa terá feito testes psicoténcios a Andreas no processo de recrutamento, em 2013. Ainda assim, estes exames não são periódicos, pelo que até ao dia do acidente Lubitz não voltou a ser submetido a testes. O presidente da Lufthansa confirmou isso mesmo: «Depois só há os testes de aptidão de comando», testes que se realizam quando os pilotos querem passar a ser comandantes de bordo.

Por fim, o chefe da companhia lamentou o episódio, que compara a um pesadelo: «Mesmo nos piores pesadelos, nunca poderíamos imaginar que uma tragédia destas fosse acontecer na nossa empresa».

Na altura do embate, Andreas Lubitz estava sozinho na cabine do avião e não deixou que o piloto voltasse a entrar no cockpit, conforme conclusão da Procuradoria de Marselha, após a análise da caixa negra encontrada entre os destroços. 

O Procurador de Marselha confirmou que na gravação das conversas entre o comandante e o copiloto «ouve-se o comandante a preparar a aterragem e a resposta lacónica do copiloto». E continua na explicação: «Entretanto o comandante pede ao copiloto que tome os comandos e ouvimos uma cadeira a chegar-se para trás e uma porta a bater. Pensamos que o comandante se tenha ausentado», refere o responsável da investigação.

Deduz-se que cerca de uma vintena de minutos antes de se despenhar, o comandante deixou Lubitz aos comandos da aeronave e, em seguida, nas gravações da caixa negra ouve-se o afastar de uma das cadeiras e uma porta a fechar-se. Foi então que o copiloto programou o piloto automático para a descida fatídica. Quando o avião começou a descer de forma abrupta, ouve-se alguém a bater à porta da cabine.

Dentro da cabine, ouve-se uma respiração normal e as chamadas de aviso do controlador aéreo, que pergunta o que se passa. Nos instantes finais ouvem-se os avisos de proximidade com o solo.

Um minuto antes do embate ouvem-se os gritos dos passageiros. A gravação termina com o som do impacto na encosta alpina.