Representantes de 170 países assumiram esta quarta-feira em Roma o compromisso de adotarem políticas fortes contra uma nutrição inadequada com ações e investimentos que assegurem o acesso de todos a uma alimentação saudável e sustentável.

O compromisso está inscrito na Declaração de Roma sobre Nutrição e no Quadro de Ação, documentos hoje adotados na capital italiana no âmbito da Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (ICN2), organizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

«Temos o conhecimento, a experiência e os recursos necessários para superar todas as formas de nutrição inadequada», afirmou o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, citado num comunicado da organização.

«Os governos devem liderar o caminho», referiu o representante, salientando, no entanto, que o trabalho para melhorar a nutrição global deve ser «um esforço conjunto», envolvendo organizações da sociedade civil e o setor privado.

Nos documentos hoje adotados, estabelecem-se recomendações para políticas e programas para enfrentar as questões da nutrição em múltiplos setores.

Na Declaração de Roma sobre Nutrição consagra-se o direito de todos ao acesso a alimentos seguros, suficientes e nutritivos, e os governos comprometem-se a prevenir a nutrição inadequada em todas as suas formas, incluindo a fome, as deficiências de micronutrientes e a obesidade.

Por sua vez, o Quadro de Ação reconhece que os governos têm o papel e a responsabilidade principal de responder às questões e aos desafios nutricionais, em diálogo com um vasto leque de intervenientes, incluindo a sociedade civil, o setor privado e as comunidades afetadas.

Nesse sentido, neste documento recomendam-se várias dezenas de ações para as políticas nacionais de nutrição, saúde, agricultura, educação, desenvolvimento e investimento, defendendo-se ainda a negociação de acordos internacionais para alcançar uma melhor nutrição para todos.

Estes textos «são o ponto de partida destes renovados esforços para melhorar a nutrição para todos, mas não são a linha de chegada. A nossa responsabilidade é a de transformar o compromisso em resultados concretos», acrescentou Graziano da Silva.

Os países signatários devem alcançar resultados concretos até 2025.

«Agora temos de redobrar os nossos esforços", declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, numa mensagem de vídeo dirigida aos participantes da conferência internacional, afirmando aguardar com expectativa “os compromissos nacionais que cada um vai colocar em prática».

Do lado da OMS, a diretora-geral da organização, Margaret Chan, chamou a atenção para as atuais disparidades do sistema alimentar mundial.

«Parte do mundo tem muito pouco para comer, deixando milhões vulneráveis à morte ou às doenças causadas por deficiências de nutrientes. Outra parte come em excesso, com a propagação da obesidade a fazer cair a esperança média de vida e a fazer subir os custos com cuidados de saúde para valores astronómicos», frisou a representante.

Apesar de os registos de fome terem caído 21% desde o biénio 1990/1992, mais de 800 milhões de pessoas no mundo ainda passam fome, de acordo com a FAO.

Os dados avançados pela agência das Nações Unidas indicam, por outro lado, que a obesidade está em rápido crescimento, com cerca de 500 milhões de pessoas obesas em todo o mundo, como noticia a Lusa.