Os rebeldes Huthis do Iémen anunciaram esta segunda-feira a morte do ex-presidente Ali Abdallah Saleh, seu antigo aliado com quem entraram recentemente em conflito, durante combates na capital, Sanaa.

O Ministério do Interior [controlado pelos rebeldes] anuncia o fim da milícia da traição e a morte do seu líder [Ali Abdallah Saleh] e de alguns dos seus elementos criminosos”, anunciou a televisão dos Huthis, Al-Massirah, citando um comunicado.

A emissora de rádio Huthi tinha anunciado horas antes que Saleh morreu vítima de disparos de combatentes Huthis.

No fim de semana foi anunciada a rutura da aliança forjada há três anos entre os rebeldes xiitas Huthis e os apoiantes do ex-presidente Ali Abdallah Saleh.

Após a dissolução da aliança, Saleh declarou-se disposto a abrir uma “nova página” com os sauditas, que dirigem uma coligação anti-rebelde no Iémen desde 2015.

A guerra do Iémen já causou mais de 8.650 mortos e cerca de 58.600 feridos desde 2015, segundo a ONU.

No domingo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, instou “todas as partes no conflito” do Iémen “a pôr fim a todos os ataques aéreos e terrestres” no país. Guterres mostrou-se “profundamente preocupado” com a intensificação dos confrontos e com os ataques nos últimos dias.

Líder rebelde fala de derrota saudita

A morte do ex-presidente iemenita Saleh, de 75 anos, foi entretanto confirmada por várias fontes do seu partido à agência noticiosa Reuters.

O líder dos rebeldes Houthi, Abdul Malik al-Houthi, saudou a morte do rival, considerando-a tratar-se de uma vitória contra as forças da coligação militar liderada pela Arábia Saudita que há cerca de três anos intervém naquele país da Ásia Menor.

É um histórico, excecional e grande dia no qual a conspiração da traição falhou, um dia negro para as forças da agressão", afirmou Abdul Malik al-Houthi, citado pela agência britânica Reuters.

O líder rebelde considerou que o levantamento das forças do presidente Saleh contra a coligação xiita alinhada com o Irão foi a grande ameaça que o Iémen enfrentou e que foi derrotada.

O líder muçulmano xiita assegurou, contudo, que o país deverá manter o seu sistema republicano e que não irá levar a cabo ações de vingança contra o partido do presidente que morreu.

O problema não é o Congresso Geral do Povo como partido ou os seus membros", afirmou Al-Houthi, segundo a agência Reuters.