O Governo de Itália concedeu esta segunda-feira a nacionalidade a Alfie Evans, o bebé britânico com uma doença cerebral degenerativa, para que a criança, que a Justiça do Reino Unido desligou do suporte artificial de vida, continue os tratamentos em Roma. 

Com a nacionalização de Alfie, o governo italiano espera que o "menino seja transferido de imediato para Itália" para que possa continuar a receber o apoio de saúde de que precisa.

As máquinas de suporte de vida foram desligadas, esta segunda-feira à noite, depois do Supremo Tribunal negar um novo recurso apresentado pelos pais de Alfie. Thomas Evans e Kate James pediam ao tribunal que permitisse que o hospital Halder Hey em Liverpool, Inglaterra, continuasse a prestar cuidados de saúde ao bebé de 23 meses, mas tal foi negado. 

Os médicos alertaram os pais de que a criança não sobreviveria mais do que minutos, a partir do momento em que as máquinas fossem desligadas. Mas, contra todas as previsões, Alfie ainda respira, o que deixou os médicos "boquiabertos", escreve o El Mundo.

No Facebook, o pai, Thomas Evans, deu conta que o filho ainda está vivo e que há 10 horas que respira sem ajuda das máquinas. 

Em declarações aos jornalistas, à porta do hospital, o pai de Alfie revelou que teve uma longa conversa com os médicos para, perante a resistência de Alfie, prestassem alguma assistência ao bebé.

“Deixaram-no sem comida, água e oxigénio durante seis horas. Senti-me aliviado quando confirmaram que lhe iam dar água e oxigénio. Está com oxigénio agora. Não altera a respiração dele, mas está a oxigenar o corpo. Ele está a lutar, está a fazer o melhor que consegue. Mas precisamos que ele seja assistido... as próximas horas vão ser duras", afirmou.

Alfie Evans ficou gravemente doente após uma convulsão, em dezembro de 2016. Ao serem informados de que o filho tinha ficado com sequelas irreversíveis, os pais, Thomas Evans, de 21 anos, e Kate James, de 20, recorreram aos tribunais para manter o filho vivo. 

No entanto, apesar de reconhecerem que se trata de um caso "desesperadamente triste", os juízes britânicos declararam que "não há esperança" de que o menino "alguma vez melhore" e até o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos se recusou a rever o caso.

Agora, a esperança dos pais está em Itália. Depois da nacionalização de Alfie, o objetivo é conseguir transferi-lo para o Hospital Pediátrico de Gesù, gerido pelo Vaticano, e que já revelou que está disponível para receber  criança. 

Esta segunda-feira, a diretora do hospital italiano, Mariella Enoc, viajou até ao Reino Unido para tentar falar com os responsáveis do hospital britânico, mas não conseguiu.

No Facebook, os pais de Alfie vão relatando o que se vai passando com o filho. A última mensagem da mãe é uma mensagem de revolta. Na mensagem publicada durante a madrugada, Kate James escreveu que o hospital recusou o seu pedido para passar a "última noite com o filho enquanto está vivo".