Durante um debate, que durou mais de sete horas, os deputados de todos os partidos manifestaram um inusitado consenso, não obstante as nuances relativamente à forma como se devem formular as reclamações.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, iniciou o debate na noite de terça-feira, assinalando que o Governo «vai apoiar o esforço do parlamento e oferecer todo o apoio político e legal» para conseguir que «haja resultados» durante esta legislatura.

«Quero garantir que (o Governo) vai fazer todos os possíveis para que, através do diálogo, haja progressos na Europa. A Grécia vai cumprir com as suas obrigações, mas o Governo vai trabalhar para que os outros cumpram as suas, o que ainda não fizeram», afirmou.

A proposta de criação da comissão tinha sido anunciada em 22 de fevereiro pela presidente do parlamento, Zoé Constandopulu.

Tsipras reiterou que as vítimas gregas da ocupação nazi devem ser homenageadas e disse que «as recordações» desses crimes «estão vivas e devem ser mantidas vivas, não para avivar a falta de confiança entre povos, mas também para recordar o que se passou quando se pretenderem impor sentimentos de superioridade nacional, em vez dos de solidariedade».

Sublinhou ainda que o povo alemão «pagou um preço muito alto» durante a Segunda Guerra Mundial, mas recordou que depois da assinatura do Acordo de Londres, em 1953, «deveria enfrentar as suas obrigações» resultantes da guerra, o que tem procurado evitar com «astúcias legais», considerou.

O Governo grego exige à Alemanha reparações às vítimas e também pela devastação de infraestruturas e ainda pelo crédito que o III Reich obrigou Atenas a conceder-lhe.

O empréstimo obrigatório, que nunca foi devolvido à Grécia, tem um valor atual estimado entre sete mil e 11 mil milhões de euros.

Esta posição não é nova, pois nenhum Governo grego desistiu de pedir reclamações, independentemente da sua composição política.

Depois de ter tomado posse, em 27 de janeiro, Tsipras visitou o campo de tiro de Kesariani, em Atenas, onde os nazis fuzilaram 200 comunistas, numa das piores matanças do período de ocupação na capital grega.

O primeiro-ministro depositou uma coroa de flores no memorial que recorda as vítimas, num gesto inédito por parte de um chefe de Governo recém-empossado.