O secretário-geral adjunto da NATO, Alexander Vershbow, disse esta quinta-feira, em Lisboa, que a Rússia quer uma “Europa dividida”, acrescentado que a próxima cimeira da Aliança Atlântica em Varsóvia "vai determinar o futuro" das tensões no continente europeu.

O norte-americano Alexander Vershbow participou hoje na conferência sobre “A Cimeira da NATO em Varsóvia e o Novo Ambiente Internacional”, que decorreu na Assembleia da República, em Lisboa, referindo-se às “agressões” da Rússia contra a Ucrânia e afirmando que os aliados devem discutir o aumento do dispositivo de defesa na cimeira que se vai realizar na Polónia entre nos dias 08 e 09 de julho.

Está já previsto o envio de quatro batalhões da Aliança Atlântica para a Polónia e para os três países bálticos, em resposta ao reforço da presença militar de Moscovo na fronteira ocidental russa, mas o número total de soldados e posições são assuntos que ainda não estão totalmente definidos.

Quatro batalhões não são uma força de invasão”, lembrou Vershbow, argumentando, no entanto, que se trata de uma medida de defesa que deve ser desenvolvida tendo em conta a anexação da Crimeia e a interferência russa nas regiões de fronteira com a Ucrânia.

O secretário-adjunto da NATO sublinhou que “nenhuma destas medidas teria sido necessária se a Rússia não tivesse anexado a Crimeia”, justificando o aumento das capacidades de defesa dos aliados no leste europeu, quer em relação ao número de efetivos quer à capacidade de prontidão.

O secretário-geral adjunto da Aliança Atlântica rejeitou também a “narrativa” de Moscovo, que acusa a NATO de pretender agredir a Rússia.

Vershbow assinalou que a Rússia “foi bem clara” ao demonstrar que pretende uma Europa dividia, usando táticas como os ataques cibernéticos, e que “mantém a narrativa” de que a NATO quer atingir ou confrontar Moscovo.

Nós não queremos o confronto com a Rússia, mas não nos intimidamos e vamos persistir na ideia de dialogar com a Rússia para evitar uma escalada perigosa”, referiu.

No contexto da cimeira da NATO em Varsóvia, Vershbow recordou os "importantes contactos" entre a União Europeia e a Aliança Atlântica e afirmou que é preciso mais financiamento e equipamento.

A anterior cimeira da NATO, realizada no País de Gales, em 2012, determinou que dois por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país-membro deviam ser destinados a questões de defesa, sendo que o secretário-geral adjunto defendeu o aumento do valor nos próximos anos.

Além das questões relacionadas com o financiamento, o mesmo responsável disse em Lisboa que a organização “deve fazer mais e melhor”, nomeadamente, na defesa cibernética e na segurança marítima.

As capacidades marítimas da NATO são muito importantes: a liberdade de navegação no Atlântico e no Mediterrâneo”, frisou, além de ter mencionado o reforço de meios no Báltico e no Mar Negro.

“A segurança marítima continua a fazer parte da agenda e vai ser abordada na Cimeira da NATO, em Varsóvia”, disse Vershbow, que recordou as missões junto de países do norte de África e do Médio Oriente.

Estamos a treinar iraquianos na Jordânia e queremos expandir o treino em território iraquiano”, assinalou, acrescentando que o mesmo se passa com a Tunísia, além do apoio prestado à Jordânia no campo do combate cibernético.

Na conferência que se realizou na Assembleia da República participaram, entre outros, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, o embaixador de Portugal na NATO, Luís Almeida Sampaio, e Marco António Costa, presidente da Comissão de Defesa Nacional.