A Associação de Professores da Alemanha pediu para que a obra de Adolf Hitler, Mein Kampf, voltasse ao plano de estudos dos jovens alemães. Os docentes alegam que a entrada do polémico manifesto no programa vai proteger os adolescentes de “cair” no extremismo.

O livro proibido da Alemanha vai voltar a ser publicado em janeiro, depois de a sua circulação ter sido parada com o fim da Segunda Guerra Mundial. O manifesto nunca foi banido, mas, nos últimos 70 anos, a obra antissemita não teve mais edições, porque a editora que detém os direitos de autor, a Bavaria, considerou que a sua republicação seria demasiado “perigosa”.

Mas agora que uma instituição governamental vai republicar Mein Kampf, os professores querem que a nova edição seja apresentada aos alunos do secundário para “vacinar os adolescentes contra o extremismo político”.

Segundo o The Telegraph, o presidente da Associação dos Professores da Alemanha, Josef Kraus, considera que é errado as escolas “ignorarem” o livro de Hitler, que pode ser acedido facilmente através da Internet. O educador disse ainda que era melhor que Mein Kampf fosse explicado por “professores de política e historiadores experientes” do que ser apenas rotulado como “proibido”.

A nova edição direcionada aos adolescentes deverá conter dezenas de páginas que apontam as falhas para os argumentos falaciosos do Führer e só serão permitidas algumas passagens.
 
Mas, mesmo assim, a proposta controversa está a ser alvo de críticas por parte de várias associações de direitos humanos e por várias instituições de judeus.

Yehuda Teichtel, um rabino influente em Berlim, considera que “os riscos são maiores do que os benefícios”.
 

Há o risco de que a introdução no currículo escolar sofra um abuso, porque há fatores problemáticos que trabalham para espalhar as ideias mencionadas no livro.


Contudo, muitos políticos já vieram a público apoiar a proposta, em especial os representantes do Partido Social Democrata.
 

Mein Kampf é um livro monstruoso e terrível. É apropriado para fazer parte da educação moderna, para que os professores qualificados possam desmascarar a História e este panfleto antissemita e desumano, explicando como funciona o mecanismo de propaganda por trás dele.

Uma análise crítica de Mein Kampf, esta antítese da humanidade, liberdade e abertura com o mundo, pode fortalecer a resistência contra estas tentações e perigos”, declarou Ernst Dieter Rossmann, porta-voz do partido.