A câmara baixa do parlamento alemão, o Bundestag, aprovou novas medidas de agravamento da legislação de concessão de asilo. Entre elas, há a destacar as restrições ao reagrupamento familiar para refugiados já na Alemanha.

O Parlamento espera desta forma a reduzir o fluxo recorde de refugiados, ao mesmo tempo que tenta criar barreiras nas fronteiras externas da Europa. Pretende-se, também, acelerar o tratamento dos pedidos de asilo e a expulsão daqueles que não se enquadram nas regras. 

"Mesmo do ponto de vista moral, não há nenhuma obrigação para que o nosso país ofereça ajuda humanitária a tal ponto que se sobrecarrega a si mesmo e aos seus cidadãos"

As palavras são do vice-ministro do Interior, Ole Schröder, citado pela Bloomberg, num discurso em que define a posição do governo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, vai fazer um balanço das portas abertas aos refugiados uma cimeira de emergência da UE sobre o assunto, que terá lugar a 7 de março, seis dias antes de o seu partido, note-se, realizar três eleições estaduais. 

Como há países a fechar as suas fronteiras ao longo da chamada rota dos Balcãs, o chefe de gabinete de Merkel, Peter Altmaier,defendeu que não se deve despejar a crise de refugiados na Grécia: "Queremos uma solução com a qual todos os países europeus possam lidar".

O mesmo responsável apelou às empresas para darem trabalho a refugiados qualificados e a investirem em países próximos da Síria, como a Jordânia.

A crise de refugiados tem feito decair a popularidade de Angela Merkel e do seu partido. O ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, renovou o seu apoio à posição assumida pela chanceler, que tem defendido que o encerramento das fronteiras da Alemanha enviaria o sinal errado para a Europa e, ao mesmo tempo, teria consequências nefastas para a economia.

O projeto-lei aprovado esta quinta-feira apresentado por conservadores e sociais-democratas, foi aprovado com 429 votos a favor, 147 contra e quatro abstenções.

A oposição, formada pelo partido A Esquerda (Die Linke) e Os Verdes, votou contra, tal como 31 deputados das formações da coligação governamental, 30 do Partido Social-Democrata (SPD) e um da União Democrata-Cristã (CDU) de Angela Merkel.