A Alemanha e França decidiram apresentar à União Europeia (UE) uma “iniciativa comum” para a imposição de quotas obrigatórias para o acolhimento de refugiados pelos países europeus. A informação foi revelada esta quinta-feira pela chanceler alemã, Angela Merkel, durante uma visita a Berna.

“Falei esta manhã com o Presidente francês e a posição franco-alemã, que transmitirei às instituições europeias, é que estamos de acordo com a necessidade de quotas obrigatórias dentro da União Europeia para partilharmos a responsabilidade. É esse o princípio da solidariedade.”


Por seu lado, a presidência francesa emitiu um comunicado em Paris anunciando a iniciativa conjunta. O comunicado precisa que esta proposta inclui medidas sobre a organização do acolhimento de refugiados, a sua “justa repartição” pelos países europeus, a harmonização de normas para reforçar o sistema de asilo europeu e o regresso dos imigrantes irregulares aos respetivos países.

 

Ainda segundo o mesmo comunicado, a iniciativa franco-alemã visa “assegurar o regresso dos imigrantes irregulares aos seus países de origem e dar o apoio e a cooperação necessários aos países de origem e de trânsito”.

“Para os refugiados que tentam chegar à Europa (…) as tragédias sucedem-se aos dramas. Milhares de vítimas morreram desde o início do ano. A União Europeia tem de agir de maneira decisiva e em conformidade com os seus valores. [...] Estes homens e estas mulheres, com as suas famílias, fogem da guerra e de perseguições. Precisam de proteção internacional. Ela é-lhes devida. As Convenções de Genebra, feitas após a guerra, vinculam todos os países. A Europa deve proteger aqueles para quem ela é a última esperança”, lê-se no texto.

Entretanto, o primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, esteve em Paris com François Hollande, defendendo que qualquer pessoa com "um sentido de humanidade, que viu o corpo de um menino dar à costa na praia como se fosse um tronco de madeira", olha para o que se está a passar como sendo uma "catástrofe humana". A Irlanda está de portas abertas para acolher refugiados. 

Recorde-se que em julho, o Conselho Europeu recusou uma proposta da Comissão Europeia de estabelecer quotas obrigatórias para reinstalação e recolocação de refugiados, tendo os chefes de Estado e de Governo dos 28 chegado a acordo para o acolhimento de 32 mil pessoas oriundas da Síria e da Eritreia, aquém das 40 mil propostas pelo executivo comunitário, em maio. 

Entretanto, o jornal espanhol "El País" avança esta quinta-feira que o presidente da Comissão Europeia quer triplicar o número de refugiados a serem acolhidos pelos estados. Uma informação que surge depois de o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ter feito um apelo sobre esta matéria. Tusk pediu aos 28 para aceitarem pelo menos 100 mil refugiados, de modo a aliviar a pressão nos países da chamada "linha da frente".