Os partidos portugueses reconhecem todos a importância das eleições na Alemanha no domingo, com a direita a esperar que a solução governativa seja «estável» e a esquerda a alertar que as alterações de políticas fazem-se «país a país».

«Esperamos estabilidade política. A Alemanha é um país fundamental no processo de construção europeia» começou por dizer à agência Lusa o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD António Rodrigues, social-democrata muito ligado a questões europeias.

Uma «maioria confortável» e uma «coligação sustentável» é portanto «essencial» até no plano europeu, para uma melhor harmonia nas «relações entre os vários Estados-membros», sustentou ainda o deputado do PSD.

A vitória da CDU (democratas-cristãos), de Angela Merkel, é dada como praticamente certa, embora os resultados de outras forças políticas, como o SPD (sociais-democratas), sejam essenciais para determinar futuras alianças no poder de Berlim.

Ainda à direita, o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, enaltece o papel de «país amigo» que a Alemanha é e o pilar que representa para a União Europeia: «uma Alemanha forte é um bom indicador para a Europa e Portugal», sinalizou.

O centrista acredita num «princípio de continuidade» nas políticas do executivo que advir das legislativas, mas, independentemente do cenário, define como prioritária uma «solução forte de Governo».

Nos partidos à esquerda, o tom comum é o de que as políticas fazem-se «país a país», centrando críticas na atuação do Governo de Pedro Passos Coelho e no rumo das suas políticas sob influência de Berlim.

O PS, pela voz do secretário nacional do partido para as relações internacionais, João Ribeiro, é o mais contundente: O Governo português, frisa o socialista, corre o risco de «ser na segunda-feira o único governo na Europa a defender a austeridade».

«Qualquer reconfiguração» do executivo alemão será «para melhor», acredita João Ribeiro, para quem existe também a expectativa de uma «alteração das políticas alemãs no Conselho Europeu».

O socialista enaltece contudo que o debate que o sufrágio de domingo tem suscitado passa por «diferenças políticas e não entre países».

O PCP, pelo eurodeputado João Ferreira, diz não esperar «grandes mudanças na política europeia» com o resultado das eleições, dominadas por dois candidatos «que não se distinguem», Merkel e Peer Steinbrück.

A Alemanha, lamenta o comunista, «determina o essencial das medidas» políticas e económicas na Europa, cenário que devia mudar mas que sucede «porque lhe foram garantidos esses poderes com os tratados europeus, nomeadamente o de Lisboa».

Já o Bloco de Esquerda (BE) lembra também que as «alterações políticas em Portugal não estão dependentes das eleições na Alemanha», mas admite que Berlim possa ter respostas europeias «de cariz diferente caso Merkel tenha menos força».

«No entanto, as alterações políticas fazem-se país a país», lembrou.

Tanto o BE como o CDS destacaram nos seus contributos à Lusa o papel dos emigrantes portugueses na Alemanha e a reforçada importância do sufrágio de domingo para esses cidadãos.