A cidade de Colónia, na Alemanha, está em estado de alerta para as festividades de Carnaval. Depois de uma passagem de ano muito violenta, com centenas de mulheres a denunciarem violações e assaltos - alegadamente perpetrados por homens de origem árabe e africana -, as autoridades querem voltar a ganhar a confiança dos residentes e prepararam um forte dispositivo de segurança. Por outro lado, a hipótese de um atentado terrorista é um cenário que também preocupa os alemães e obriga a medidas preventivas. 

Os eventos de Carnaval em Colónia começam já esta quinta-feira e prolongam-se até dia 10. Durante este período, cerca de 2500 agentes da polícia vão patrulhar as ruas da cidade – o triplo em relação ao ano passado. Mas este não é o único número que chama a atenção: o custo das operações de segurança está avaliado em cerca de 360 mil euros.

As autoridades instalaram câmaras de seguranças em diversos pontos de cidade e há mesmo um local que foi designado como “centro de segurança” para mulheres. Aqui, haverá uma equipa de voluntários, psicólogos e funcionários judiciais pronta a lidar com eventuais casos de assalto ou violação.

Além disso, os suspeitos que foram identificados na noite da passagem de ano estão proibidos de participar nos eventos festivos.

A violência registada na noite de reveillon fez subir o tom do debate sobre o acolhimento de refugiados na Alemanha. Angela Merkel tem estado debaixo de fogo e as pressões, quer de políticos quer da sociedade no geral, são muitas. É que há quem não veja com bons olhos a solidariedade europeia que a chanceler tanto parece querer defender.

Com o país a discutir as tensões que as diferenças culturais entre alemães e refugiados podem criar, há cidades que optam por deixar avisos aos novos habitantes. Como Colónia, que decidiu distribuir folhetos com informações sobre as festas de Carnaval.

Nestes folhetos, a cidade explica que muitos alemães gostam de beber cerveja durante os eventos, mas que beber álcool não é obrigatório e é sempre possível haver diversão sem bebidas alcoólicas - os muçulmanos não bebem álcool.

Mas se Colónia até é subtil na escolha de palavras, a cidade vizinha de Bonn prefere ser mais explícita. Nos folhetos que distribuiu pelas ruas deixou recados claros. Um deles é o de que há um costume de Carnaval designado “buetzen” que consiste em beijar alguém na cara. No entanto, alerta-se, é preciso que as duas pessoas aceitem esse beijo. “Não significa não”, lê-se no texto. Outro aviso também é perentório: “Não se vista como um jihadista”.

Impedir que os acontecimentos da passagem de ano se repitam é uma das preocupações das autoridades alemãs, mas não a única. Depois dos atentados de Novembro em Paris, os países europeus reforçaram as medidas de segurança e eventos que representem uma grande concentração de pessoas merecem atenção redobrada.

O responsável dos serviços secretos alemães Hans-Georg Maassen explicou aos media alemães que após os ataques na capital francesa a situação de ameaça terrorista "é séria".

Em Colónia, as operações têm em conta que é nas regiões à volta da cidade, no estado de Renânia do Norte-Vestfália, que reside o maior número de radicais islâmicos na Alemanha.

O chefe da polícia local Juergen Mathies “desencorajou fortemente” qualquer folião de se mascarar de jihadista ou de usar armas falsas como adereços.

Apesar do estado de alerta, Angela Merkel não quer que se deixe de festejar o Carnaval e, neste sentido, fez um apelo aos alemães:

"Vamos mostrar que não deixamos que ninguém nos impeça de aproveitar a vida e de nos divertirmos. Adoramos a liberdade, a nossa liberdade de expressão e especialmente a nossa liberdade de nos divertirmos".