Em Munique, Alemanha, um homem de 80 anos guardava em casa mil e quinhentas obras de arte confiscadas pelos nazis durante a segunda guerra mundial, e que estão agora avaliadas em mil milhões de euros.

Esta é, possivelmente, uma das maiores apreensões de arte roubada pelos nazis. Entre os quadros encontrados estão obras de Picasso, Matisse, Chagal, entre outros.

Na já distante primavera de 2011, inspetores de finanças passaram revista à habitação de Cornelius Gurlitt, num edifício em Munique.

Encontraram 1.500 quadros de alguns dos principais pintores do século 20 fechados à chave, em várias divisões, do apartamento, junto com lixo e latas de produtos, cuja validade há muito expirara.

A revista «Focus» alemã revela que a investigação concluiu que a coleção foi formada durante o período nazi, pelo pai do suspeito, um comerciante de arte que negociou com os nazis, e no final da segunda guerra afirmou ter perdido grande quantidade de obras nos bombardeamentos de Dresden.

Pelo menos 300 peças provêm da chamada «arte degenerada» ou «decadente», obras de arte moderna que acabaram destruídas pelos nazis ou vendidas muito abaixo do preço.

O segredo foi guardado por Cornelius por mais 50 anos, que apenas vendia algumas peças quando precisava de dinheiro.



O caso só foi descoberto porque agentes do fisco interrogaram um solitário «velhinho de 80 anos», que regressava da Suíça de comboio com uma mala de dinheiro, fruto da venda de uma tela.

Cornelius não vai, à partida, ser acusado de qualquer crime, uma vez que não existe o suficiente para o incriminar de envolvimento nas ações que «conduziram» os quadros a sua casa.

O especialista em arte Meike Hoffman, disse à BBC, que apesar de tudo a maioria dos trabalhos estavam um pouco sujos mas bem preservados.

«Quando te vês perante trabalhos há muito perdidos, desaparecidos, que se pensavam destruídos, e vê-los em boas condições, é um sentimento extraordinário», disse o especialista.

«Muitos dos trabalhos eram desconhecidos até agora», continuou.

A Alemanha Nazi confiscou sistematicamente por toda a Europa dezenas de milhares de obras, roubadas de museus e de particulares, nomeadamente de famílias judias.