«Era um programa de intercâmbio [da disciplina] de Espanhol e eles estavam, provavelmente, a regressar da melhor experiência das suas vidas. É trágico, muito triste», ministra da educação do estado alemão North Rhine-Westphalia   


A entrada da escola Joseph-König, em Haltern am See, perto de Düsseldorf, está coberta de velas, flores e mensagens de homenagem aos 16 alunos e dois professores que perderam a vida no acidente aéreo com um avião da GermanWings.

A escola esteve aberta hoje, não para aulas regulares, mas para uma cerimónia em memória das vítimas, para que pais, colegas, amigos e professores, pudessem iniciar o período de luto em conjunto.

«Este é o dia mais negro da história da nossa cidade. Um sentimento de choque pode ser sentido em todo o lado. É o pior que se pode imaginar», disse Bodo Kimpel, presidente da câmara da pequena cidade, ao NY Times.


Como conta o o jornal norte-americano, os estudantes, alunos do 10º ano, com média de idades por volta dos 15 anos, estiveram uma semana numa pequena localidade nos arredores de Barcelona, Llinars del Vallès, para um contacto mais próximo com a língua espanhola, uma experiência de imersão que os ajudaria a desenvolver as suas capacidades. «Provavelmente a melhor experiência das suas vidas», como contou a ministra da educação.

Esta terça-feira, saíram no comboio das seis da manhã para apanharem o voo das 9:55 (8:55 em Lisboa) rumo a casa. Muitas famílias já estavam no aeroporto quando receberam a trágica notícia: o avião caíra nos Alpes franceses em circunstâncias às quais seria difícil sobreviver.

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Apenas algumas horas depois, as autoridades francesas davam, oficialmente, todos os ocupantes da aeronave como mortos: 150 pessoas, de pelo menos 12 nacionalidades.

Em Haltern am See, os restantes alunos souberam da tragédia apenas após o cancelamento das aulas, ao início da tarde, quando foram dispensados.

           

Ontem à noite, foi na igreja de St. Sixtus que a população se reuniu para lembrar, em silêncio, os 16 jovens e os dois professores.

«Estamos muito tristes», disse Nadia, uma jovem de 15 anos, que apesar de não conhecer bem as vítimas, fez alusão à sensação de familiaridade que uma pequena cidade deixa acontecer: Não eram estranhos, conhecia todas aquelas caras.

Já Lara Beer, 14 anos, ainda não acredita que perdeu a sua amiga Paula, a mesma que tinha combinado ir buscar à estação de comboio ontem à tarde, e que lhe ia contar tudo sobre a semana que passou em Barcelona.

Contou, ao El País, que no último dia que esteve com Paula não fizeram nada de especial: «rimos às gargalhadas, como sempre». Falando em frente à escola, Lara diz-se «em choque», ainda sem acreditar na tragédia.

«Estamos todos em choque. Não consigo acreditar que ela simplesmente já não está aqui, que desapareceu. Ontem, os seus pais estiveram em minha casa e não sabiam de nada do que se tinha passado. É horrível».


Para amanhã está marcado um minuto de silêncio por volta das 10:53 da manhã, hora do último contacto da aeronave, antes de se despenhar nos Alpes.