A morte do procurador argentino que investigava um atentado terrorista no país, ocorrido em 1994, continua envolta em mistério. A presidente argentina, esta quinta-feira, veio pôr em causa a tese de suicídio.

Alberto Nisman, de 51 anos, foi encontrado na casa de banho no apartamento em que morava em Buenos Aires, no 13º andar de um edifício exclusivo, com  uma arma que não era dele e um tiro na cabeça. A autópsia preliminar apontou para suicídio, mas as informações não param de chegar e os dados mais recentes, divulgados pelo jornal argentino «La Nación», referem a ausência de vestígios de pólvora nas mãos do procurador.
 
«Por ser uma arma de um calibre pequeno, calibre 22, e não uma arma de guerra, normalmente isso faz com que a perícia não dê resultados positivos», mas isso «não descarta que tenha sido ele a dispará-la», acrescentou a promotora, referindo que é preciso esperar pelo resultado de todos os testes solicitados, entre eles o do ADN do sangue encontrado na arma, explicaram as autoridades dois dias depois da morte.

Muitas perguntas que intrigam a presidente argentina, ela que era visada na acusação que seria apresentada por Nisman daí a dois dias. No âmbito da investigação, Nisman tinha acusado formalmente há um ano a Presidente Cristina Kirchner e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Hector Timerman, de tentarem encobrir a autoria do atentado, que terá sido responsabilidade do Irão. Porquê? A Presidente e o ministro terão tentado preservar as relações com um importante fornecedor de petróleo.

Kirchner já se tinha pronunciado sobre as acusações, a 15 de janeiro. «Amia, uma vez mais,sem justiça nem verdade». Esta quinta-feira, volta a pronunciar-se sobre o caso e a pedir «justiça e verdade» num artigo publico no seu blogue e depois do jornal «Buenos Aires Herald» ter tido acesso à acusação que Nisman ia apresentar e declarar que não havia «nada de novo» que sustentasse a tese de conspiração.



«Por que razão se havia de suicidar um procurador que, tanto ele como a sua família, gozavam de uma boa qualidade de vida?»

«Por que havia de pedir emprestada uma arma um homem que tinha duas armas registadas em seu nome?»

«É impossível não relacionar , uma pessoa aparece morta com uma arma registada em nome da última pessoa que esteve com ele em vida»

E, «como é um que um médico privado tem acesso ao local do crime sem autorização de um juiz (…)?»