Albert Woodfox passou 43 anos confinado 23 horas por dia a uma exígua cela da Penitenciária Estadual do Luisiana. Durante a hora que lhe foi permitido sair dela para caminhar pelo módulo prisional teve de o fazer sozinho. Na segunda-feira, um juiz ordenou que fosse libertado. Mas o procurador-geral do Luisiana recorreu. A liberdade de Albert está, agora, nas mãos de um tribunal federal de recurso. 

O homem de 68 anos estava já na prisão em 1972, por roubo à mão armada, quando foi condenado, pela primeira vez, com Herman Wallace, pela morte de um guarda prisional durante um motim - um caso em que Robert King também foi envolvido, mas nunca acusado . Ficaram conhecidos como os “Três de Angola” - uma referência a um dos nomes pelos quais é conhecida a penitenciária (também referenciada como “A Quinta” ou "Alcatraz do Sul”). Angola era o nome da antiga plantação, que no século XIX se alimentava do trabalho escravo.

Woodfox garantiu sempre estar inocente. Disse que a condenação se tratou de uma vingança. Um ano antes da morte do guarda Brent Miller tinha fundado dentro da prisão uma célula dos Panteras Negras e participou em greves de fome e em protestos contra o tratamento dado aos presos, naquela que é a maior prisão de segurança máxima dos EUA.

Robert King acabou por ver revogada a condenação e ser libertado em 2001, depois de 29 anos em isolamento prisional. Em 2013, foi a vez de Herman Wallace sair da cadeia, onde passara 41 anos, para morrer dois dias depois com cancro. 

Esta segunda-feira, o juiz James J. Brady ordenou a libertação de Woodfox, que já fora condenado uma segunda vez pelo mesmo crime, mas que apesar das condenações revogadas continuava preso. 

Brady considerou que Woodfox não deveria ser julgado uma terceira vez devido, devido a circunstâncias excecionais”. Apontou a idade, os problemas de saúde do detido e, mais preocupante do que isso para o sistema de justiça norte-americano, “a falta de confiança em que o estado possa assegurar um terceiro julgamento justo”.

Nenhum destas razões convenceram o procurador-geral do estado do Luisiana a não recorrer da decisão do juiz James Brady. Buddy Caldweel sempre defendeu que Woodfox deveria permanecer preso e levou o caso a um tribunal de recurso federal em Nova Orleães, com o objetivo de julgá-lo uma terceira vez. 

A liberdade de Woodfox está agora nas mãos deste tribunal, que apesar de ainda não ter tomado uma decisão, adiou, para já, a eventual libertação do homem de 68 anos até às 13:00 de sexta-feira.