Dois homens sentaram-se esta quinta-feira no banco dos réus de um tribunal de Bodrum, na Turquia, acusados do homicídio de cinco pessoas, entre elas, o menino de três anos, Aylan Kurdi, cuja imagem, morto, de bruços, numa praia, deu a volta ao mundo e se tornou o rosto de todos aqueles que tentam alcançar a Europa fugindo à guerra.

No naufrágio que vitimou Aylan Kurdi morreu também a mãe e o irmão de cinco anos. Eles não conseguiram chegar ao porto de abrigo chamado Europa. Um milhão conseguiu fazer essa travessia, fugindo da guerra e da fome, nomeadamente na Síria. Os sobreviventes da família estão agora no Canadá, onde vive uma tia.

Muwafaka Alabash e Asem Alfrhad, ambos sírios, respondem também por tráfico de seres humanos, recebendo dinheiro para trazer as famílias para a costa europeia.

 

O pai de Aylan kurdi (Foto Reuters)

O pai de Aylan Kurdi também é arguido neste processo, mas o Guardian, que cita a agência de notícias Dogan, não especifica os crimes pelos quais o pai do menino é acusado. Abdullah Kurdi está, no entanto, a ser julgado á revelia, já que se encontra em parte incerta.

 

NATO contra os traficantes

Este julgamento começou no dia em que a NATO anunciou o reforço da sua presença na costa europeia. A organização de defesa vai patrulhar o Mar Egeu, numa caça aos traficantes de pessoas, aceitando, assim, o pedido feito pela Turquia, Alemanha e Grécia.

No entanto, Jens Stoltenberg fez questão de afirmar que a missão da NATO não passa por “evitar que os migrantes façam a travessia ou mandá-los para trás”, cita a BBC.