A esperança de encontrar as 92 vítimas que continuam desaparecidas devido à queda do voo QZ8501 da Air Asia está a diminuir. As autoridades de procura e resgate dizem que os corpos desaparecidos estão à deriva ou no fundo do mar e as equipas de busca temem que nunca mais sejam encontrados.
 
O avião em causa levava 162 pessoas a bordo quando caiu no mar de Java depois do piloto pedir para desviar o plano de voo devido ao mau tempo, durante o que era suposto ser uma viagem de curta duração entre a segunda maior cidade da Indonésia, Surabaya e Singapura.
 
Até agora, apenas 70 corpos foram encontrados. As autoridades esperavam que a maioria dos tripulantes e passageiros estivessem na secção principal do avião. Depois de dias a tentar emergir a fuselagem, ao levanta-la esta partiu-se e as autoridades afirmam que não podem ser localizados mais corpos.
 
«Eles podem estar no fundo do mar, ou à deriva nas ondas e correntes», afirma o agente oficial de resgate e procura, S.B. Supriyadi à agência noticiosa francesa AFP.

 
A agência civil de procura e resgate do país disse que vai continuar com as buscas por pelo menos mais uma semana, com pelo menos uma aeronave e vários navios e mergulhadores.  
 
Enquanto Supriyadi sugere que será difícil encontrar mais vítimas, o chefe da agência Bambang Soelistyo  acredita que é possível e diz estar «otimista».
 
Soelistyo refere que as equipas de procura e resgate ficaram paradas dois dias nas últimas semanas devido as condições não favoráveis de tempo mas vai prolongar a procura das vítimas.
 
A agência garante que alguns mergulhadores estavam a sofrer devido à descompressão que geralmente afeta aqueles que ascendem muito rapidamente de grande profundidade ou não têm tempo suficiente de descanso entre mergulhos.
 
Dariyanto, cuja mulher e irmã estavam naquele voo e continuam desaparecidas, acredita que as buscas têm de continuar durante o maior tempo possível.
 
«Nós estamos muito agradecidos com as equipas de resgate mas as famílias continuam à procura daqueles que amam. Entendemos que nem todos possam ser recuperados, mas aceitamos os corpos em qualquer condição » afirma o homem que se encontra na mesma situação que muitos indonésios, à AFP.
 
A agência diz que neste momento o principal objetivo é encontrar mais corpos e não levantar a fuselagem do avião que se partiu em dois. Contudo os analistas ficaram surpreendidos com a sugestão de deixar o resto dos destroços no fundo do mar, pois a sua recuperação iria ajudar na investigação sobre o que realmente foi a causa do acidente.
 
As «caixas negras» - o gravador de voo que regista os diálogos entre os pilotos e com o controlo aéreo e o segundo gravador com os parâmetros do avião (velocidade, altitude, regime dos motores e outros indicadores)- já foram encontradas e os investigadores estão a analisa-las. Um relatório preliminar sobre o acidente vai ser completado esta semana.
 
O ministro dos Transportes Indonésio, Ignasius Jonan, explicou na semana passada que o avião realizou uma subida anormal rápida antes de mergulhar no mar. Momentos antes do avião desaparecer do radar, o piloto pediu para subir de modo a evitar uma tempestade, mas não foi dada permissão para realizar essa operação devido ao tráfego aéreo pesado.
 
A agência de meteorologia da Indonésia disse que a tempestade poderá ser a causa do acidente, mas só as caixas negras poderão dar respostas definitivas.