O primeiro-ministro turco anunciou, esta quinta-feira, que não se recandidatará à liderança do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), no poder na Turquia, o que significa que perde automaticamente o cargo de primeiro-ministro, segundo os estatutos do partido.

A decisão foi anunciada, esta quinta-feira, um dia após a reunião extraordinária da direção do partido em Ancara, na qual ficou também decidido que será realizado um congresso extraordinário, ainda este mês.

Depois de conversar com o presidente, decidi de que será mais apropriado para a união [do AKP] mudar de presidente. Não tenho a sensação de que falhei ou que me arrependo de alguma decisão”.

Na sua comunicação, o Ahmet Davutoglu afirmou ainda que não irá participar no congresso.

Não tenho planos para ser candidato no congresso extraordinário, convocado de urgência. O partido deve estar unido e solidário no congresso. A unidade não deve ser posta em discussão, porque o destino do AKP não é apenas o destino do partido, é o destino da Turquia e da nossa região que está em causa”.

A decisão do primeiro-ministro turco está a ser interpretada como um assumir de derrota perante a batalha que travava com o presidente Recep Tayyip Erdogan. A possível resignação do chefe do governo foi comentada ao longo de vários dias, tendo sido noticiada ainda a rutura da relação entre Davutoglu e Erdogan, devido à divisão entre os dois sobre questões políticas fundamentais.

No entanto, em declarações à AFP, Davutoglu negou que exista qualquer tipo de conflito com o presidente turco. 

Da minha boca jamais saiu qualquer palavra negativa sobre o nosso presidente e jamais vai sair", afirmou.

Ahmet Davutoglu foi eleito líder do AKP em agosto de 2014, depois de Recep Tayyip Erdogan, três vezes primeiro-ministro, ter sido eleito presidente.