O egípcio Ahmed Naji que escreveu “The Guide for Using Life” foi condenado, no último sábado à pena máxima de dois anos de prisão por usar descrições explícitas de sexo e drogas no romance. A acusação afirma que o autor usou frases vulgares para descrever os órgãos genitais e o ato sexual, o que constituí uma “doença que destrói valores sociais”.

O romance que foi publicado na revista “Akhbar al-Adab” provocou num homem palpitações, mal-estar e queda de pressão arterial, levando-o a ficar doente. Também o editor da revista, Tarek El Taher, foi condenado por publicar o artigo. Terá de pagar uma multa no valor de 885 dólares (cerca de 795 euros).

Mahmoud Othman, um dos advogados de defesa de Naji, afirmou à CNN que “os cidadãos não podem recorrer ao tribunal com casos destes sem provar uma ligação direta e pessoal à ação em questão”, acrescentando que a acusação trata estes casos como uma ofensa à moral pública.

Outro advogado do escritor, Nasser Amin, indicou ter ficado “chocado” com a sentença de sábado uma vez que o romance foi aprovado pelo quadro de censura do Egipto e Naji tinha já sido ilibado por um tribunal inferior, em dezembro. Em declarações à CNN, afirma que “é esperado que um tribunal inferior decida este tipo de casos com o veredicto de culpado, para ser depois anulado por um tribunal superior, e não ao contrário.”

Algumas das organizações dos Direitos Egípcios afirmam estar preocupados com a tendência de acusar intelectuais e artistas do Egipto. Em declarações seguidas à sentença de Naji afirmaram:

“A continuação de determinadas políticas vão aumentar o receio de ver na prisão pessoas com diferentes pontos de vista, apenas por expressarem esses pontos de vista em qualquer formato.”

Com este, são já quatro os casos contra escritores ou artistas egípcios nos últimos meses condenados a prisão efetiva.

O produtor Rana El-Sobky foi condenado a um ano de prisão também por “violar a modéstia pública” num filme lançado nos cinemas e a poetisa Fatma Naoot foi sentenciada a três anos de prisão por demonstrar desprezo pela religião através do Facebook. Ambos recorreram das decisões.

O apresentador islâmico El-Beheiry foi considerado culpado de desprezo à religião ao questionar as tradicionais interpretações dos ensinamentos Islâmicos. Cumpre atualmente um ano de prisão.

O diretor do filme “Gods of Egypt” emitiu um pedido de desculpas por ter apenas atores brancos, após personalidades egípcias reclamarem a cor e localização geográfica do Egipto.