Elementos da unidade de elite "Falcões" da polícia da África do Sul realizaram buscas na manhã de quarta-feira à casa de família do grupo empresarial Gupta, em Joanesburgo, no quadro das investigações sobre tráfico de influências que atingem a cúpula do Estado sul-africano.

A operação está ligada” ao escândalo Captura do Estado", nome do caso de corrupção em que se encontra implicado o presidente Jacob Zuma, disse à comunicação social o brigaderio e porta-voz da polícia, Hanqwani Mulaudzi.

Pouco depois das 8:00 (6:00 em Lisboa) um veículo civil escoltado por carros da polícia abandonou a propriedade da família Gupta.

Mais tarde, a polícia e o Ministério Público confirmou terem sido feitas três detenções e decorrerem negociações com duas outras pessoas para que se entreguem às autoridades.

A polícia não identificou os detidos, Contudo, a estação sul-africana ENCA TV diz que um deles é um dos três irmãos Gupta.

Fonte judicial adiantou entretanto à agência noticiosa Reuters que a polícia terá mandados para efetuar entre cinco e sete detenções, sem que as mesmas incluam membros do governode Jacob Zuma.

Além das mansões dos irmãos Gupta, empresários de origem indiana, um segurança confirmou à agência noticiosa Reuters que os escritórios da holdinh Oakbay foram também vasculhados pela polícia, quando eram 7:30 da manhã em Joanesburgo.

Zuma falou

As buscas acontecem numa altura em se espera uma decisão do presidente do país, Jacob Zuma, sobre o eventual afastamento do cargo de chefe de Estado, exigido pelo seu próprio partido, o ANC, maioritário no parlamento sul-africano desde as primeiras eleições multiraciais em 1994.

O país enfrente uma crise política devido aos casos de alegada corrupção que envolvem o presidente, que poderá ter de enfrentar  a justiça, uma decisão que deverá ser conhecida no próximo dia 23.

O Congresso Nacional Africano (ANC), presidido desde dezembro por Cyril Ramaphosa, determinou que Zuma deve abandonar o poder, aguardando uma decisão oficial.

Esta quarta-feira, esperava-se que Jacob Zuma, às 10:00 locais (8:00) em Lisboa, falasse ao país, comunicando a sua decisão. O presidente optou, contudo, por dar uma entrevista na estação estatal de televisão, SABC, onde considerou “injusta” a decisão do Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder desde 1994, de exigir a sua demissão.

Zuma, antigo vice-presidente a África do Sul (1999/2005) e chefe de Estado desde 2009, referiu que o ANC não apresentou “razões claras” para que ele se demita do cargo.

É muito injusto que o assunto seja permanentemente levantado. O que poderei fazer? Ninguém é capaz de apresentar razões claras” para a demissão, afirmou Zuma, aludindo ao ANC.

Preciso de ser informado sobre o que fiz. Porquê tanta pressa?”, questionou, sem esclarecer, ao longo da entrevista, se vai ou não demitir-se dentro do prazo dado pelo ANC.

Moção de censura na 5.ª feira

Entretanto, o Congresso Nacional Africano /ANC) decidiu numa reunião parlamentar aproveitar uma moção de censura, apresentada pelos oposicionistas do Freedom Fighters, para obrigar Jacob Zuma a sair da presidência.

A moção deverá ser votada na quinta-feira, caso o presidente até lá não resigne.

O anúncio da decisão foi feito na manhã de quarta-feira pelo tesoureiro geral do ANC, Paul Mashatile, numa conferência de imprensa, após uma reunião do grupo parlamentar do partido no poder desde 1994.

Não podemos manter a África do Sul à espera”, frisou Mashatile, salientando quer o partido deu um prazo até ao final do dia de hoje para que Zuma apresente a demissão que, a concretizar-se, levará o atual vice-presidente, Cyril Ramaphosa (eleito em dezembro líder do ANC), a assumir a Presidência interina do país.

Depois da decisão do ANC, o presidente afirmou que fará uma declaração ao país ainda hoje e abandonará o cargo se a moção de censura for aprovada na quinta-feira.

Não fiz nada de mal (…). Estou em desacordo com a decisão (do ANC). Mas se o parlamento disser que não me quer mais, partirei”, sublinhou Zuma.