Irek Hamidullin, um antigo militar russo convertido ao Islão, acusou as forças americanas de terem atirado contra si e os seus camaradas talibãs como se “fossem insetos”.

“Os helicópteros atiraram a matar como se fôssemos insetos”.


A afirmação surgiu na gravação de um interrogatório conduzido pelo FBI em 2010 e agora exibida em julgamento.
Hamidullin é o primeiro preso da guerra no Afeganistão a ser julgado nos Estados Unidos. Sob ele pendem 15 acusações, nomeadamente, terrorismo e uso de armas. O russo é acusado de coordenar um ataque falhado a uma esquadra da polícia afegã em novembro de 2009.

Em sua defesa, o preso de guerra alega que não atirou contra os militares norte-americanos, embora tivesse uma metralhadora Ak-47. Irek Hamidullin ficou ferido nesse ataque e foi mesmo o único sobrevivente entre os camaradas talibã, ao passo que, do outro, não houve baixas entre afegãos ou norte-americanos.

“Fui ferido antes de ter oportunidade de disparar”, disse Hamidullin, de acordo com a Reuters.

A declaração foi contrariada pelos depoimentos de dois tropas americanos – incluindo aquele que atirou sobre o russo-, que afirmaram ter visto rajadas de metralhadora antes de o ferirem.

Irek Hamidullin, de 56 anos, foi um oficial do exército soviético nos anos 80. Converteu-se à jihad em 1996. Detido em 2009 pelas tropas norte-americanas após esse assalto falhado, esperou cinco anos numa prisão afegã antes de ser extraditado para os Estados Unidos.

Se for considerado culpado, Irek Hamidullin enfrenta a prisão perpétua.