Vinte organizações timorenses entregaram esta sexta-feira uma carta na embaixada da Austrália em Díli dirigida ao primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, a condenar a rusga ao escritório de advogados que defende Timor-Leste nas acusações de espionagem contra australianos.

«O Movimento Contra a Ocupação do Mar de Timor (que agrega 20 organizações timorenses) está profundamente preocupado e condena a ação realizada pelos Serviços de Inteligência Australiana contra o escritório do advogado e a testemunha do processo de arbitragem internacional sobre espionagem em Haia», pode ler-se na carta distribuída aos jornalistas que a Lusa cita.

A carta foi entregue durante o protesto que reuniu em frente da embaixada da Austrália em Díli cerca de seis dezenas de jovens para protestarem contra os alegados atos de espionagem feitos por aquele país durante a negociação de um tratado sobre o Mar de Timor.

na terça-feira, o advogado que representa Timor-Leste na arbitragem internacional relativa ao caso das acusações de espionagem contra a Austrália denunciou que elementos da secreta australiana revistaram o seu escritório alegando razões de segurança nacional.

Em declarações à imprensa australiana, o advogado Bernard Collaery disse que vários agentes realizaram uma busca hoje à tarde ao seu escritório em Camberra e que levaram consigo vários ficheiros eletrónicos e documentos em papel.

O advogado refere também à imprensa australiana que os homens se identificaram como sendo dos serviços de informação australianos, tendo recusado mostrar um mandado de busca, alegando que a operação está relacionada com «segurança nacional».