O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, anunciou esta quinta-feira a redução de 500 efetivos da base aérea norte-americana nas Lajes, Açores, bem como o encerramento de uma base no Reino Unido.

Num comunicado do Pentágono, Chuck Hagel afirmou que o plano de redução de custos significará «uma ligeira redução» das forças militares na Europa. Também o embaixador em Portugal anunciou uma redução gradual dos trabalhadores portugueses da base das Lajes, Açores, de 900 para 400 pessoas ao longo deste ano, e os civis e militares norte-americanos passarão de 650 para 165.

A informação foi dada pelo embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Robert Sherman, numa conferência de imprensa. Sherman disse que estas reduções vão permitir ao Governo norte-americano uma poupança anual de 35 milhões de dólares (29,6 milhões de euros).

«Temos cerca de 900 trabalhadores locais agora, número que vai ser reduzido para cerca de 400», disse o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Robert Sherman, precisando que a administração norte-americana está a preparar um pacote de benefícios financeiros para os cerca de 500 trabalhadores portugueses que vão deixar de TRABALHAR  na base da ilha Terceira.

Relativamente ao pessoal norte-americano, militar e civil, o embaixador disse que o seu número é hoje de aproximadamente 650 pessoas e que «deverá ser reduzido para 165».

«A redução vai ser feita ao longo de 2015, não vai ser feita toda de uma vez», frisou, acrescentando contudo desconhecer se está já definido um calendário para a retirada das forças.

Segundo o embaixador, estas reduções visam adequar as capacidades militares às necessidades operacionais, uma vez que, nos últimos quatro anos, a base das Lajes recebeu em média menos de dois aviões militares por dia.

«A atual presença excede as necessidades operacionais», disse.

Segundo explicou, a missão da base, de abastecimento de aviões militares e apoio às operações militares, mantém-se inalterada, mas os avanços tecnológicos dos últimos anos levaram a uma redução da «frequência e do volume de voos a necessitar das condições oferecidas pela base das Lajes».

Por outro lado, assegurou, os Estados Unidos vão «manter o apoio às operações das Lajes ao serviço da aviação civil» e «da Força Aérea Portuguesa», como operações de controlo de tráfego aéreo e outras.

Com a redução de pessoal na base açoriana, o Governo norte-americano prevê uma poupança anual de 35 milhões de dólares (29,6 milhões de euros).

A redução insere-se num plano de redimensionamento das forças militares norte-americanas em seis países europeus – Portugal, Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália e Reino Unido – que, no total, vai reduzir a despesa em 500 milhões de dólares (423,8 milhões de euros).

Apesar do fecho de Mildenhall e outras instalações mais pequenas em outros lugares, Hagel afirmou que os Estados Unidos continuarão comprometidos com o apoio aos seus aliados europeus.

«Esta transformação da nossa infraestrutura ajudará a maximizar as capacidades militares na Europa e ajudará a reforçar as nossas parcerias europeias, para que possamos apoiar os nossos aliados da NATO e parceiros na região», lê-se na declaração de Hagel.

Algumas das forças que vão retirar do Reino Unido, Portugal e outros locais serão alocadas à Alemanha e Itália.

O encerramento de Mildenhall, onde estão destacadas forças de operações especiais e aviões de reabastecimento aéreo, implicará a retirada de 2000 militares e civis ao serviço das forças armadas norte-americanas do Reino Unido.

Os Estados Unidos esperam poupar cerca de 500 milhões de dólares com a reestruturação.

Fontes do Pentágono asseguraram que as mudanças não reduzirão a capacidade norte-americana de enfrentar uma atitude considerada mais assertiva por parte da Rússia e que Washington continuará a envolver os 67 mil militares colocados na Europa em exercícios e treinos conjuntos com os seus aliados europeus.

Governo português não gostou

O Governo português manifestou o seu «forte desagrado» pela «decisão unilateral» da administração norte-americana, considerando que o impacto económico e social na ilha Terceira é «especialmente preocupante».

«O Governo português expressa o seu forte desagrado por esta decisão, que não teve em conta as preocupações que transmitiu aos Estados Unidos da América ao longo dos últimos dois anos, em articulação com o Governo Regional dos Açores», afirma, em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros.


O executivo considera ser «especialmente preocupante» o impacto desta decisão «na situação económica e social da ilha Terceira».

Na nota, o ministério liderado por Rui Machete afirma que o Governo vai fazer uma «análise detalhada desta decisão e de todas as suas possíveis implicações».