O presidente do Conselho Europeu advertiu hoje que o mais difícil das negociações com o Reino Unido, sobre o Brexit ainda está para vir. O acordo de princípio sobre os termos do divórcio foi alcançado esta sexta-feira, ao início da manhã, entre a primeira-ministra britânica e o presidente da Comissão Europeia, mas Donald Tusk não entrou em euforias.

Temos de ter em mente que o desafio mais difícil está ainda pela frente. Sabemos que romper é difícil, mas romper e construir uma nova relação é ainda mais difícil”.

Numa declaração à imprensa após o anúncio do acordo, o presidente do Conselho Europeu lembrou que ainda é necessário negociar o futuro, designadamente o período de transição (de dois anos) que o Reino Unido solicitou para concretizar a saída do bloco europeu.

Também falta definir os moldes da futura relação - comercial mas não só - entre as partes. Daí ter lembrado que, “desde o referendo britânico” que ditou o Brexit já “passou cerca de um ano e meio”.

Tanto tempo tenha sido gasto com a parte mais fácil. Agora, para negociar o período de transição e o futuro temos, de facto, menos de um ano”.

Até porque já há data e hora certas para a saúda do Reino Unido do clube europeu - 23:00 do dia 29 de março de 2019. 

A União Europeia recorda que as negociações deverão ser concluídas até ao outono de 2018, para dar tempo suficiente ao Conselho para celebrar o acordo de saída do Reino Unido após ter obtido a aprovação do Parlamento Europeu, assim como permitir que o Reino Unido possa aprovar o acordo, em conformidade com os respetivos procedimentos, até esse dia.

Dar corda às negociações

Relativamente à fase seguinte das negociações, o presidente do Conselho Europeu propõe que se comece a negociar, “o mais cedo possível”, a questão do período de transição, para dar “clareza sobre à situação às pessoas e às empresas”, cita a Lusa.

Apontando que o Reino Unido solicitou um período de transição de dois anos durante o qual permaneceria no mercado único e união aduaneira, Tusk afirmou que a UE está pronta a negociar esta vontade, mas “naturalmente tem as suas condições”.

Para o presidente do Conselho Europeu, “a única solução razoável” é que, durante esse período de transição, o Reino Unido “respeite toda a legislação da UE, incluindo novas leis”, os “compromissos orçamentais” e o “controlo judicial”. Durante esse período, todo o processo de decisão na União Europeia será tomado a 27, “sem o Reino Unido”.

É no interesse de todos os nossos cidadãos que haja um acordo o mais cedo possível. É por isso que vou pedir aos líderes da UE que mandatem o nosso negociador [Michel Barnier] para começar estas conversações imediatamente”.