França e Alemanha propuseram o envio de 600 agentes, entre polícias e peritos, para ajudar a Grécia a pôr em marcha o novo acordo entre a União Europeia e a Turquia sobre a devolução de migrantes que cheguem clandestinamente. A medida entra este domingo em vigor, mas a Grécia já pediu mais tempo. Todos os novos migrantes irregulares que se deslocarem da Turquia para as ilhas gregas serão reenviados para a origem.

Recorde-se que esta medida é o resultado da cimeira de Bruxelas, que se realizou na semana passada. A Grécia obteve dos parceiros europeus apoio financeiro e o compromisso do reforço imediato de pessoas, especialistas em asilo e tradutores.

O texto final da Cimeira sublinha que esta é uma medida temporária e extraordinária, destinada a pôr fim às arriscadas viagens no Mar Egeu. O objectivo também passa por destruir o modelo de negócio dos traficantes, que a troco de grandes quantias de dinheiro organizam as travessias, tantas vezes fatais. A medida não abrange as 46 mil pessoas que estão bloqueadas na Grécia, na fronteira com a Macedónia.

Os ministros do Interior de França, Bernard Cazeneuve, e da Alemanha, Thomas Maizière, formalizaram a proposta numa carta em que justificam a iniciativa com “a urgência particular” que a Grécia enfrenta, já que desde hoje deve aplicar o acordo União Europeia (UE) – Turquia.

França e Alemanha indicam que cada um dos países enviará até 200 polícias suplementares para a agência europeia de controlo de fronteiras, assim como cerca de 100 peritos para o Organismo Europeu de Apoio ao Asilo.

 Acordo UE-Turquia é indispensável para reduzir pressão migratória

Entretanto, o ministro alemão das Finanças justificou o acordo da União Europeia com a Turquia, e respetiva ajuda financeira, como forma de reduzir a pressão migratória na Europa e reforças as fronteiras externas, classificando-o como indispensável.

“Há que reforçar as fronteiras externas da Europa, é indispensável”, afirmou Wolfgang Schäuble numa entrevista televisiva emitida hoje em França na qual participou também o homólogo francês, Michel Sapin.

O ministro alemão explicou que “há que ajudar a Turquia” para que “ajude” a Europa “a baixar a pressão”.

Papa lamenta que não se assuma responsabilidade pelo destino dos refugiados

Quem não deixou passar esquecido o assunto foi também o Papa Francisco que lamentou, este domingo, que exista tanta gente que não queira “assumir a responsabilidade” do destino dos refugiados, durante a homilia que pronunciou na Praça de São Pedro, no Vaticano, na celebração do Domingo de Ramos.

Na homilia, Francisco recordou que, a caminho da Cruz, Jesus de Nazaré “também experimentou na sua própria pele a indiferença, pois ninguém quis assumir a responsabilidade do seu destino”.

“Penso em tantos marginalizados, em tantos refugiados e também penso em tantos que não querem assumir a responsabilidade do seu destino”, disse Francisco.