O Irão e as potências mundiais conseguiram fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano, reunidos hoje em Viena, segundo informaram diplomatas citados pela agência russa TASS e pela francesa AFP.
 

“Chegaram a um compromisso em todos os aspetos. Dentro de muito pouco [tempo] as partes vão anunciar os resultados”, especificou um diplomata europeu, citado pela agência noticiosa russa.


Um diplomata próximo das negociações, que não é identificado, disse também à agência AFP que “o acordo foi concluído”.

A última sessão plenária entre o Irão e o chamado Grupo 5+1 - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) mais a Alemanha – tem início às 08:30 locais (09:30 em Lisboa) na sede da ONU em Viena.

O derradeiro encontro no quadro das negociações sobre o complexo dossiê vai ser seguido de uma conferência de imprensa.

O Irão e o Grupo 5+1 têm vindo a negociar um acordo duradouro que garanta que Teerão não tenta obter uma bomba atómica recebendo como contrapartida um levantamento das sanções económicas que lhe foram impostas.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos sete países envolvidos nas negociações procuraram ao longo dos últimos 18 dias de intensas conversações em Viena chegar a um consenso para fechar este histórico acordo.

O Presidente iraniano, Hassan Rouhani, afirmou hoje que a conquista de um acordo será “ um triunfo da diplomacia” e servirá como um “bom começo” para novas relações internacionais.

Numa mensagem através da rede social Twitter, proibida no Irão, mas cujos líderes usam com frequência, Hassan Rouhani realçou ainda que espera que o acordo que se ultima na capital austríaca, figure como um instrumento que coloque termo a uma época de “exclusão e coerção” nas relações entre países.

 

O Irão aceita a visita dos inspetores aos locais considerados suspeitos pelas autoridades internacionais de servirem para a construção de bombas nucleares e consegue furar o isolamento a que tem estado sujeita nos últimos anos.

Teerão aceitou também que as sanções que vão ser levantadas possam ser de novo reintroduzidas, caso o acordo não seja cumprido. 

Mas nem todas as restrições serão levantadas. O embargo de compra de armas, determinado pelas Nações Unidas, irá manter-se por mais cinco anos, tal como o embargo para a compra de tecnologia usada em mísseis, que se manterá por mais oito anos.

Todavia, o acordo não agradou a todos. Israel lamenta o entendimento. A ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Hotovely, usou a sua conta do Twitter para expressar o seu desacordo: “este acordo é uma cedência história ao eixo do mal liderado pelo Irão”.

 

Também o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já descreveu o acordo como um “erro histórico”, escreve a Reuters. As declarações foram feitas antes de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros holandês, Bert Koenders, em Jerusalém.
 

"Aproveitar a oportunidade"


Mas se no Médio Oriente nem todas as reações foram positivas, nos Estados Unidos, o presidente norte-americano não escondeu a sua satisfação.
 

Acordo com o Irão é “uma oportunidade que não devemos deixar escapar”, afirmou hoje, numa declaração sobre o assunto, na Casa Branca.. 


Em seguida, Barack Obama deixou um aviso ao Congresso, garantindo que irá vetar qualquer medida legislativa que tente impedir a implementação do entendimento agora alcançado, escreve a Reuters.

Para o presidente dos Estados Unidos, o acordo terá uma base de verificação. Ou seja, não está sustentado apenas em confiança e será “uma irresponsabilidade” a sua rejeição.
 

“O entendimento oferece a oportunidade de seguir um novo caminho”, defendeu Barack Obama.


No entanto, o Chefe de Estado assume que ele não resolve todas as questões que separam os dois países e que serão mantidas, entre outras, as sanções relacionadas com os direitos humanos.