A confederação dos sindicatos da Função Pública (ADEDY) convocou uma greve de 24 horas para esta quarta-feira. O intuito é claro: pressionar os deputados que estão a discutir e vão votar o acordo com o Eurogrupo, tanto mais que há grandes divisões dentro do Syriza, o partido dominante da coligação governamental.

Na segunda-feira, após 17 horas de negociação, o governo grego foi obrigado a submeter-se a quase todas as exigências dos credores, entre as quais estão várias medidas que têm de ser aprovadas já pelo Parlamento para que a Grécia possa receber um novo pacote de ajuda.

Essas medidas incluem reformas dos sistemas fiscal e de pensões, bem como a liberalização das leis laborais e do acesso a várias profissões. Os sindicatos e outras organizações económicas e sociais estão contra e, por isso, mobilizaram-se para demonstrar o seu descontentamento.

Como é habitual, o principal impacto da greve term-se feito sentir nos transportes públicos, com muitas estações de caminho-de-ferro a não abrirem as portas.

Para além dos trabalhadores das administrações central e local, também os médicos estão em greve. Muitas farmácias não abriram as portas em protesto contra a proposta de liberalização da venda de alguns produtos farmacêuticos, que passarão a estar disponíveis em supermercados e outras lojas.

Nos últimos dias, o governo e as empresas do setor também se envolveram num conflito por causa da escassez crescente de medicamentos no mercado, que ameaça deixar muitos doentes sem tratamento. Na terça-feira, o executivo proibiu mesmo a exportação de 25 medicamentos para combater essa situação.

As paralisações estão a ser acompanhadas por protestos nas ruas de Atenas, embora, durante o período da manhã, não se tenham registado grandes movimentações.