As FARC vão manter o cessar-fogo definitivo acordado com o governo, mesmo depois dos colombianos terem expressado, em referendo, estarem contra o acordo de paz.  O anúncio foi feito pelo líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Rodrigo Londoño, também conhecido como Timoleón Jiménez ou "Timochenko”.

"Reafirmamos ante a Colômbia e o mundo que as frentes guerrilheiras em todo o país permanecerão com o cessar-fogo bilateral e definitivo como uma medida necessária de alívio às vítimas do conflito e em respeito ao que foi acertado com o governo", declarou Jiménez em um vídeo transmitido de Havana, sede das negociações de paz.

O Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram, a 27 de setembro, um acordo de paz sem precedentes. O cessar-fogo pôs fim a 52 anos de guerra civil, depois de quatro anos de duras negociações em Cuba.

Entretanto, o Presidente da Colômbia anunciou que o cessar-fogo termina a 31 de outubro.

“Espero que possamos seguir em frente (…) e encontrar o acordo necessário para chegar a uma solução para este conflito”, disse Juan Manuel Santos, numa declaração a partir do palácio presidencial.

O chefe máximo das FARC, Rodrigo Londoño, reagiu a este anúncio com uma pergunta no Twitter: “Daí para a frente a guerra continua”?.

O entendimento previa que as FARC entregassem as armas e iniciassem diligências para se tornarem um partido político.

Este domingo, os colombianos rejeitaram, em referendo, o acordo de paz entre o Governo e a guerrilha das FARC, assinado na semana passada. Com 99% das mesas de voto contadas, os resultados da consulta popular realizada indicam que 50,24% dos eleitores votou contra o acordo, enquanto 49,8% votou a favor.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia são a maior organização rebelde da Colômbia. Foram fundadas em 1964 como a vertente armada do Partido Comunista, seguindo uma ideologia marxista-leninista. Desde então, lutam contra o governo colombiano no mais longo conflito da América Latina.

Os seus fundadores eram essencialmente agricultores que se uniram para lutar contra a desigualdade de condição social verificada na Colômbia na altura. Assim, ainda que as FARC tenham algumas componentes urbanas, sempre foram um grupo marcadamente rural.