Uma média de 5.000 pessoas morrem todos os meses na guerra que atinge a Síria desde março de 2011 e que provocou a pior crise de refugiados desde o genocídio no Ruanda (1994), avisou António Guterres, alto comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR).

O português fez um apelo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que adote medidas mais fortes em relação à guerra, que causou quase 100.000 mortes em 26 meses.

Cerca de 1,8 milhões de pessoas refugiaram-se nos países vizinhos da Síria, enquanto uma média de 6.000 cidadãos fogem do país todos os dias, afirmou Guterres. «Não viamos um fluxo de refugiados que se acelerasse a um ritmo tão chocante desde o genocídio no Ruanda, há quase 20 anos», sustentou, acrescentando: «Esta crise prolongou-se muito mais do que se podia temer, com insuportáveis consequências humanitárias».

Referiu, ainda que, a atitude do Líbano, do Iraque, da Jordânia e de outros países de aceitar nos seus territórios os refugiados sírios tem «salvado centenas de milhares de vidas».

O embaixador do Líbano na ONU, Nawaf Salam, insistiu por sua vez que é «urgente» que o Conselho de Segurança adote novas medidas sobre a crise de refugiados. Salam lembrou que a ONU registou 607.908 refugiados no Líbano, mas o governo estima que o número real seja de 1,2 milhões e pode aumentar até 20 vezes durante 2013.

O embaixador Sírio na ONU, Bashar Jaafari, colocou em xeque os números divulgados pelos funcionários da Nações Unidas, ao alegar que procedem de «fontes não profissionais».