A Agência da ONU para os Refugiados, da qual António Guterres é ainda o alto-comissário, disse nesta terça-feira que a Europa tem de passar das palavras às ações no que respeita ao acolhimento de refugiados, concretamente 200.000, e que não pode haver apenas “uma solução alemã para um problema europeu”.
 
“As reuniões que vão ocorrer durante semana são ainda mais urgentes, porque, como é óbvio, não pode haver uma solução alemã para um problema europeu”, considerou a porta-voz da ACNUR, Melissa Fleming, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas, nesta terça-feira.
 
Um número recorde de 7.000 sírios chegou à Macedónia na segunda-feira, enquanto cerca de 30.000 estão nas ilhas gregas, a maioria (20.000) em Lesbos e mais de 4.500 em Kos.

"Parece que durante o fim de semana o número de chegadas à Grécia aumentou e depois diminuiu", afirmou Melissa Fleming, acrescentando que "alguns milhares" de refugiados entram na Grécia todos os dias.

As Nações Unidas defendem a criação de mais centros de acolhimento, nomeadamente na Hungria e Grécia, e, apesar de aplaudirem a disponibilização do Reino Unido e da França para acolherem refugiados, pedem com urgência a implementação de um sistema de recolocação para os 200 mil refugiados que neste momento procuram asilo na Europa.
 
“Os centros de acolhimento de refugiados só podem funcionar se estiver implementado um sistema de recolocação de refugiados, em que os países europeus digam quantas pessoas vão receber. Acreditamos que precisam de ser recolocadas na Europa cerca de 200.000 pessoas”, sustentou a responsável.

A ACNUR estima que o número de refugiados a chegar à Europa através do Mediterrâneo "possa chegar aos 400.000 em 2015" e "450.000 ou mais em 2016".
 

Venezuela disponível para receber 20.000 sírios


O  Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que o seu país quer acolher 20.000 sírios, de modo a que se juntem à “grande comunidade síria” que já vive no país.

“Pedi à ministra dos Negócios Estrangeiros [Delcy Rodríguez] que se reúna com a comunidade síria [e a informe que a] Venezuela vai acolher 20.000 compatriotas sírios na diáspora”, disse Maduro, durante um Conselho de Ministros no palácio presidencial de Miraflores, na segunda-feira.

O governante disse sentir “dor” em relação à situação do povo sírio, que a Venezuela “ama”, “respeita” e “conhece muito bem”.

Também o  Brasil está “de braços abertos” para acolher refugiados sírios, garantiu na segunda-feira a Presidente do país, Dilma Rousseff.

Numa mensagem de vídeo para assinalar o Dia da Independência do Brasil, Rousseff disse que queria “reiterar a disponibilidade do Governo de receber aqueles que, expulsos de suas pátrias, queiram vir, viver, trabalhar e contribuir para a prosperidade e a paz do Brasil”.

“Nós, o Brasil, somos uma nação que foi formada por povos das mais diversas origens que aqui vivemos em paz. Mesmo em momentos de dificuldades, de crise, como os que estamos passando, teremos os nossos braços abertos para acolher os refugiados”, afirmou.

Noutro plano, a  Austrália quer limitar o seu acolhimento de refugiados sírios a grupos minoritários, sobretudo cristãos, e a famílias que se encontram em campos de refugiados, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop.

“Creio que as minorias cristãs são perseguidas na Síria e mesmo depois de o conflito terminar vão continuar a ser perseguidas”, declarou Bishop, numa entrevista à emissora ABC.

“Por isso acredito que a prioridade será assegurarmos o acesso dessas minorias étnicas e religiosas que não têm onde regressar quando o conflito terminar”, acrescentou.