A atriz Angelina Jolie criticou, esta sexta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas por não estar a conseguir resolver o conflito na Síria e pediu ajuda para os refugiados do país. Sentada ao lado do Alto-comissário para os Refugiados, António Guterres, a estrela de Hollywood proferiu o discurso de abertura no Conselho de Segurança na qualidade de Enviada Especial do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), que a levou a visitar várias vezes campos de refugiados sírios.

“Desde que o conflito da Síria teve início em 2011, fiz visitas aos campos de refugiados no Iraque, Jordânia, Líbano, Turquia e Malta. E eu gostaria que alguns dos sírios que conheci estivessem aqui hoje”, afirmou a atriz.

“Lembro-me da mãe que encontrei recentemente no campo de refugiados no Iraque. Ela contou como é tentar viver depois que a jovem filha foi arrancada da família, por um homem armado, e tornada escrava sexual”. E continuou: “Lembro-me de Hala, uma das seis órfãs que vive numa tenda no campo do Líbano. Ela poderia contar como é dividir a responsabilidade de alimentar a família aos 11 anos, porque a mãe morreu num ataque aéreo e o pai está desaparecido.”

“Aqui [no Conselho de Segurança da ONU], todos os países e todas as pessoas são iguais – do menor e mais frágil país, até o mais poderoso. A proposta das Nações Unidas é prevenir e acabar com conflitos: unir países, encontrar a diplomacia, soluções e salvar vidas. Estamos a falhar com a Síria”, lamentou Angelina Jolie.


De acordo com a AFP, a atriz lembrou que as leis humanitárias internacionais proíbem a tortura, a fome, e que escolas e hospitais se tornem alvos, mas “estes crimes acontecem todos os dias na Síria”.

“Em nome dos refugiados sírios”, Angelina Jolie fez três pedidos à comunidade internacional. Em primeiro lugar, a atriz pediu unidade.

“É hora do Conselho de Segurança trabalhar como um só para acabar com o conflito, e chegar a uma solução que traga justiça e responsabilidade ao povo sírio”, sublinhou.


Desde o início da crise, o Conselho de Segurança da ONU está profundamente dividido entre os países ocidentais, que querem pressionar Damasco, e a Rússia e a China, que protegem o regime sírio.

O segundo pedido da atriz reforçou a “contribuição extraordinária” que os países vizinhos da Síria estão a ter para os refugiados.

Angelina Jolie aproveitou para fazer referência aos recentes naufrágios.

“É revoltante ver milhares de refugiados a afogar-se à porta do continente mais rico do mundo. Ninguém arrisca a vida dos filhos dessa maneira, exceto por total desespero. Se não podemos acabar com o conflito, temos o dever moral de ajudar os refugiados e criar vias legais para a segurança deles”, defendeu.


Por último, a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados fez uma referência à violência sexual.

“Precisamos mostrar que somos sérios em relação à prestação de contas por estes crimes, pois esta é a única esperança de estabelecer qualquer desencorajamento», defendeu.  


Ao encerrar o discurso, Angelina Jolie disse que a crise na Síria “mostra que a nossa incapacidade de encontrar soluções diplomáticas provoca deslocamentos em massa, e aprisiona milhares de pessoas no exílio." " 52 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se – é um mar humano de excluídos”, lamentou.

De acordo com Angelina Jolie, em quatro anos de conflito, 3,9 milhões de pessoas fugiram da Síria. “São quatro milhões de refugiados sírios que são estigmatizados, rejeitados, e vistos como ‘um fardo’”, concluiu.