O teste de alcoolemia ao maquinista do comboio de alta velocidade que na quarta-feira descarrilou em Santiago de Compostela deu negativo, informa o «El País». Uma fonte oficial adiantou à Reuters que a causa oficial do acidente foi o excesso de velocidade.

Este é apenas um dos aspetos da investigação levada a cabo pela polícia na sequência do acidente que vitimou pelo menos 80 pessoas, 168 feridos, 36 em estado grave, dos quais 4 são crianças. Cerca de 95 pessoas ainda estão internadas no hospital. A lista com as vítimas mortais será divulgada às 22:00, hora espanhola.

Santiago: maquinista sob custódia no hospital

Francisco José Garzón Amo, maquinista, 52 anos, leva 30 de profissão. O acidente ocorreu uma centena de quilómetros após ter tomado os comandos do comboio, depois de ter rendido um companheiro na estação de Ourense.

O tribunal de Santiago declarou-o esta quinta-feira de manhã arguido no processo. Embora a investigação ainda se vá arrastar mais algum tempo, o excesso de velocidade registado em vídeo é apontada como a causa do acidente.

O perfil do maquinista na rede social Facebook foi fechado durante a madrugada, mas, antes, alguns jornalistas acederam à página onde se podia ver uma foto de Gárzon e o velocímetro a 200/hora, conta o «El País». Nos comentários à foto publicada, o maquinista revelava o seu gosto pela velocidade, ao ponto de querer desafiar a Guardia Civil, acrescenta o jornal.

As causas do descarrilamento de um comboio na Galiza, que já fez pelo menos 78 mortos, estão ainda em investigação, mas a velocidade fatal a que se deslocaria a composição é para já a principal culpada da tragédia. Os relatos apontam para uma velocidade entre os 180 km/H e os 220Km/H. Um vídeo divulgado na Internet mostra o momento do embate e a velocidade excessiva a que circulava a composição.



A comunicação de rádio entre os maquinistas e a central está a ser divulgada pela imprensa espanhola. Um dos homens, depois de ter ficado preso no interior da composição, declarou que se queixava de dores nas costas e que não podia sair. No calor do momento, repetiu: «Somos humanos, somos humanos». «Espero que não haja mortos porque caíram na minha consciência», disse ao referir que o comboio tinha entrado na curva a 190Km/H, depois ainda falou de 200 km/h, para voltar a referir os 190 km/H, disseram ao El País, fontes da investigação.