França deve «fazer muito mais para manter as linhas (ferroviárias) tradicionais» em vez de privilegiar apenas a grande velocidade, afirmou este domingo o presidente francês, François Hollande, depois do descarrilamento de um comboio na sexta-feira, perto de Paris.

«A primeira conclusão que vamos tirar é, dentro dos investimentos que vão ser importantes nos próximos anos, dar prioridade às linhas clássicas», disse o governante na tradicional entrevista às televisões francesas por ocasião do Dia da Bastilha.

O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, anunciou «a renovação de um determinado número destas linhas, mantendo as linhas de alta velocidade onde são necessárias, mas não em todo o lado», recordou Hollande.

«Que promessa foi esta de garantir linhas de TGV [alta velocidade] a todos os eleitos?», lançou, destacando que «não havia financiamentos» e que «as linhas existentes não foram protegidas».

A SNCF, empresa francesa de caminhos-de-ferro, informou no sábado que o descarrilamento de um comboio junto à estação de Bretigny sur Orge, a cerca de 30 quilómetros de Paris, na sexta-feira, que causou seis mortos e dezenas de feridos, terá sido causado por uma peça defeituosa nas agulhas que permitem que as composições mudem de linha.

Entretanto, o ministro-delegado francês dos Transportes, Frédéric Cuvillier, já afirmou que o descarrilamento do comboio evidencia os problemas de saturação da rede ferroviária: «Com esta tragédia, tocámos os limites do sistema ferroviário francês. O serviço está lotado, tem uma frequência particularmente alta na hora de ponta», afirmou Cuvillier, em entrevista ao «Le Journal du Dimanche», publicada hoje.

Cuvillier disse ainda que está previsto um investimento de cerca de 70 milhões de euros para este ano para a linha em que ocorreu o acidente.

Sabe-se agora que duas vítimas seguiam no comboio e quatro aguardavam na plataforma.