O maquinista do comboio que descarrilou na quarta-feira em Santiago de Compostela, Galiza, matando 78 pessoas, recusou-se esta sexta-feira prestar declarações à polícia, segundo fontes da investigação citadas pela agência Efe. Os príncipes foram visitar as vítimas.

O maquinista, Francisco José Garzón Amo, não quis responder ao interrogatório policial no Hospital Clínico de Santiago, onde continua internado devido aos ferimentos que sofreu no acidente.

Membros da polícia judiciária espanhola deslocaram-se esta tarde ao hospital para recolher uma primeira declaração, mas o maquinista optou pelo direito constitucional de não fazer declarações.

Fontes policiais disseram à Efe que já previam esta atitude.

O maquinista foi detido na quinta-feira à noite, no hospital, por suspeita de negligência, segundo informou hoje de manhã em conferência de imprensa o comandante da polícia Jaime Iglesias.

As fontes da Efe disseram, por outro lado, não saber ainda quando é o que o maquinista vai ter alta do hospital, onde está sob custódia policial, mas que tudo aponta para que seja no sábado, citado da lusa.

O presidente da Renfe, o equivalente à Refer em Portugal, alega que o maquinista já tinha passado 60 vezes por aquela curva deste que prestava serviço naquela linha e devia ter reduzido a velocidade quatro quilómetros antes de chegar àquele local, refutando dessa forma quaisquer responsabilidades da empresa no acidente.

Os colegas de trabalho, por seu turno, defendem o maquinistas. Um membro do sindicato dos ferroviários revela que quando o comboio se atrasava diziam: «aí vem o Gárzon» e que se trata de um profissional «sensato», em entrevista à agencia espanhola Efe.

O acidente provocou 78 mortos, dos quais 75 estão identificados, como avança o «El País».

A maioria das vítimas mortais identificadas são espanholas sobretudo da Galiza, mas também de outros pontos do país, como um rapaz de 13 anos, o mais jovem que figura na listagem.

Os príncipes Filipe e Letízia foram até Santiago de Compostela para confortar os feridos e os familiares das vítimas. Filipe mostrou-se «orgulhoso» para o espírito voluntarioso e solidário da população galega nos seus esforços de ajuda às vítimas.

Uma cerimónia pública de homenagem às vítimas do acidente terá lugar na segunda-feira na catedral da capital galega.