Dois comboios de passageiros chocaram esta terça-feira na Baviera, Alemanha. O último balanço aponta para dez vítimas mortais. Entre os mortos estão dois maquinistas e dois revisores, de acordo com a Bayerischer Rundfunk.

Segundo os últimos números oficiais, avançados pela Reuters, há ainda 81 pessoas feridas, das quais 18 estão em estado grave. Um passageiro também continua dado como desaparecido. Inicialmente eram dois, mas um já foi encntrado.

As autoridades anunciaram que todos os sobreviventes já foram retirados das carruagens e encaminhados para os hospitais. Foi também feito um apelo a dádivas de sangue

A agência Lusa contactou a assessoria da Secretaria de Estado das Comunidades, que disse não ter conhecimento de quaisquer cidadãos portugueses entre as vítimas.

Ministro "chocado" com acidente

O ministro do Interior alemão, Joachim Herrmann, em conferência de imprensa, ainda em Nuremberga, esta manhã, mostrou-se “profundamente chocado”. Joachim Herrmann disse que “acidentes como este já não deviam acontecer”, dado o investimento na segurança ferroviária feito nas últimas décadas.

O ministro admitiu que a “situação é grave”, mas adiantou que os meios de socorro no local eram suficientes. O governante seguiu, depois, para Bad Aibling, o local da colisão. 

O acidente ocorreu em Bad Aibling, a cerca de 60 quilómetros de Munique. O alerta foi dado antes das 07:00.

 

 

O porta-voz da polícia local informou a AP que os comboios chocaram de frente. A DPA, citada pela agência, explicou que um dos comboios descarrilou e várias carruagens tombaram.

Pelo menos oito helicópteros de socorro estiveram no local, um sítio de "difícil acesso", como confirmou o porta-voz da polícia federal da Baviera, Matthias Knott, à AP. 

Num relato para a BBC, um jornalista de uma televisão local contou que "há destroços espalhados", mas que "os comboios não estão totalmente destruídos". 

A circulação de comboios na região foi interrompida e as estradas em redor foram cortadas ao trânsito, de maneira a facilitar a passagem dos meios de socorro.

 

"Um trágico acidente"

Os dois comboios pertencem a uma empresa ferroviária privada, Meridian, que gere muitos dos comboios regionais do país. Em comunicado, a empresa confirmou o "trágico acidente", cujas causas são ainda desconhecidas. Duas das caixas negras dos comboios já foram recuperadas, mas os destroços levarão dias a ser retirados.

Um dos responsáveis pela sinalética da linha adiantou, segundo a BBC, que os sistemas foram inspecionados na semana passada e "não apresentaram problemas". Já no local do acidente, o ministro do Interior fez saber que os comboios deviam ter-se cruzado noutro ponto da linha. "Por que é que isso não aconteceu, temos de investigar", disse. 

Outra televisão da Baviera, a BR24, apurou que os comboios circulavam a “alta velocidade”, citando fonte policial. 

O ministro dos Transportes, Alexander Dobrindt, também se encontra no local do acidente. Em declarações recolhidas pela AP, o governante defendeu a “necessidade de se apurar o que é que aconteceu, se a causa do acidente foi provocada por falha mecânica ou erro humano". 

 

"Terça-feira Gorda negra"

Numa conferência de imprensa da polícia, ao início da tarde, o chefe da polícia da Baviera, Robert Kopp, declarou que esta era Terça-feira Gorda mais negra daquela região". 

Apesar da "tragédia", felizmente, os comboios circulavam "meio vazios", de acordo com os meios de comunicação alemães, já que as escolas estão fechadas para férias de Carnaval.

Segundo o chefe da polícia local, Stefan Sonntag, em declarações à AP, “este é o maior acidente dos últimos anos” na zona. A cidade de Rosenheim, que fica perto do local da colisão, cancelou a festa de Carnaval. 

O partido de Angela Merkel já lamentou o acidente no Twitter.

 

 

 

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