O Tribunal Superior de Justiça da Catalunha considerou que o suicídio de um guarda florestal foi um acidente de trabalho, causado pela pressão que sofria no emprego. A justiça aceitou assim a argumentação da viúva e filhos menores do homem que morreu em 2012, num processo contra o departamento de Agricultura do governo regional catalão.

As autoridades, conta o jornal El País, recusaram pagar a pensão de viuvez, defendendo que não se tratava de um acidente de trabalho. Agora, o tribunal decreta que a viúva e os filhos têm direito a essas pensões.

O tribunal considerou que na origem de tudo esteva um incêndio que aconteceu um mês antes do suicídio na região onde o guarda florestal trabalhava, «que o deixou obcecado com a ideia de que não tinha feito as coisas como devia».

No dia da sua morte a família encontrou-o ao fim de oito horas de buscas pendurado de uma árvore e a sentença do tribunal diz que deixou dois manuscritos. Um deles era dirigido aos seus superiores e, cita o El País, manifestava a sua «preocupação com o incêndio de Calvinyà, dizendo que tinha estragado a sua vida e a da sua família, que a administração estava à procura de um bode expiatório se não se tivessem realizado os procedimentos corretos e que seria ele» esse bode expiatório.

Responsável pelos guardas florestais na região do incêndio, o falecido «vivia o trabalho não com ansiedade mas com intensidade», «de forma obsessiva» e com «autoexigência», diz ainda a sentença. No dia do incêndio estava de folga, mas trabalhou no combate às chamas como voluntário. O filho contou à polícia que o pai passou a não dormir à noite e vivia no medo de ser responsabilizado e preso. Chegou a ir ao médico, onde lhe foi diagnosticado «um grau de ansiedade moderado por causa do trabalho» e receitados ansiolíticos.

O tribunal nota que o falecido se dirigiu diretamente aos seus chefes neste caso e considera que o diagnóstico médico, aliado ao seu «elevado grau de profissionalismo», suportam o «nexo entre o ato de suicídio e o seu estado de ansiedade».