A inexistência de um sistema automático de limitação de velocidade ferroviária em Santiago de Compostela terá contribuído para a tragédia que quarta-feira vitimou 80 pessoas, escreve a edição eletrónica do jornal «La Voz de Galicia».

Citando fontes da empresa ferroviária espanhola Renfe, aquele periódico recorda que «o mais provável» é que o descarrilamento em Santiago de Compostela tenha acontecido quando a composição circulava a 150 quilómetros por hora numa zona de curva em que o limite é de 80.

Acrescentam que se o sistema de segurança ERTMS - que controla de forma automática a velocidade em zonas com limitação - estivesse em funcionalmente naquele local, como acontece em outros troços ferroviários de Espanha, mesmo que o maquinista pretendesse ultrapassar a velocidade máxima não o conseguiria fazer.

Por isso, as mesmas fontes citadas pelo jornal galego admitem que a inexistência deste sistema naquela via «ajudou» à tragédia, pois se estivesse em funcionamento não permitiria aumentar a velocidade da composição, cita a Lusa.

Segundo informação disponibilizada na página oficial da Adif - empresa pública espanhola responsável pela gestão da infraestrutura ferroviária -, e consultada pela agência Lusa, o Sistema Europeu de Gestão de Tráfego (ERTMS) já está instalado em 1.786 quilómetros de linha férrea em Espanha.

A linha de alta velocidade entre Madrid-Saragoça-Barcelona, com 621 quilómetros de extensão, segundo a Adif, é a de «maior longitude» em todo o mundo que funciona com o sistema ERTMS.

Na Galiza, os 87 quilómetros de alta velocidade estão equipados com este sistema de segurança. No entanto, o acidente de Santiago de Compostela deu-se num troço misto, operado também pelo serviço convencional e que não estava equipado com o ERTMS.

O acidente ocorreu na quarta-feira às 20:45 locais (19:45 em Lisboa) quando o comboio de alta velocidade, que fazia a ligação entre Madrid e Ferrol com quase 250 passageiros a bordo, descarrilou a três quilómetros de Santiago de Compostela.

Pelo menos 80 pessoas morreram e a conselheira da saúde local, Rocío Mosquera, afirmou hoje que ao longo da noite os serviços de emergência transferiram 178 pessoas para diferentes hospitais.

Noventa e cinco feridos continuam internados, dos quais 32 adultos e quatro crianças estão em estado crítico, acrescentou a mesma fonte em conferência de imprensa.