Um dos principais orfanatos do Haiti está sob suspeita depois de diversas crianças adotadas por cidadãos norte-americanos terem apresentado sintomas de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e relatado abusos, denunciaram membros do Senado americano.

Em carta divulgada hoje, dez membros do Senado americano pedem ao Departamento de Estado que pressione o Governo haitiano a encerrar o orfanato, situado em Port Au Prince, capital do Haiti, alegando a existência de abusos sexuais sobre as crianças ali internadas.

Os membros do Senado dizem que “múltiplas crianças” internadas no Foyer Notre Dame de la Nativité acusaram positivo em testes de despistagem de clamídia, tendo algumas relatado situações de abuso sexual.

“Os serviços sociais do Haiti estão a conduzir uma investigação há mais de um ano, mas nesse tempo nada foi feito para parar os abusos”, alegam os membros do Senado em carta dirigida ao secretário de Estado John J. Sullivan.

A diretora do orfanato, Eveline Louis-Jacques, reconheceu na sexta-feira a existência de crianças com clamídia, mas disse que a contaminação pode ter ocorrido fora do orfanato e negou qualquer abuso.

“As crianças estão a ser bem tratadas. Elas não estão num orfanato. Estão na minha casa, comigo”, alegou a diretora, que acolhe 60 crianças com idades entre um e dezasseis anos. O orfanato é gerido por Eveline Louis-Jacques e pelo marido, e tem uma equipa de funcionários composta maioritariamente por mulheres.

O orfanato foi duramente atingido pelo terramoto que em 2010 arrasou a ilha de São Domingo, nas Caraíbas, que o Haiti partilha com a República Dominicana. Terão morrido 70 crianças.

Segundo estimativas, o sismo que atingiu um dos países mais pobres do mundo provocou perto de 200 mil mortes e deixou três milhões de desalojados.