O novo líder do Boko Haram, grupo jihadista que em março de 2015 jurou lealdade ao grupo Estado Islâmico, é Abu Musab al-Barnawi, de acordo com a publicação jihadista al-Naba.

Numa entrevista de duas páginas, publicada na quarta-feira, a revista semanal do Estado Islâmico informa que Abu Musab al-Barnawi foi nomeado “governador do Estado Islâmico para a África Ocidental”. Al-Barnawi é considerado uma figura-chave do grupo nigeriano. Na entrevista, Barnawi não faz menção ao anterior líder do grupo, Abubakar Shekau.

Desde março de 2015, Abu Musab al-Barnawi agia como porta-voz e um comandante militar do alto escalão do Boko Haram. A aparente mudança de liderança provocou especulações sobre o destino de Abubakar Shekau, que além de líder representava o grupo nigeriano em vídeos durante a insurreição que já provocou cerca de 20 mil mortos e mais de dois milhões de deslocados.

Abubakar Shekau foi visto pela última vez num vídeo em março, no qual parecia sugerir que estava doente e que o Boko Haram estava a perder a eficácia.

"Para mim, o fim chegou”, disse.

Não se sabe se Abubakar Shekau está morto, incapaz de liderar o grupo jihadista devido a uma doença ou se foi substituído devido a divisões internas. Tem havido especulações de desavenças internas no Boko Haram.

Em junho, um general dos EUA disse que tinha havido uma cisão dentro do Boko Haram, e que uma grande parte dos jihadistas se afastara de Abubakar Shekau devido à suposta falta de capacidade do líder em aderir às orientações do Estado Islâmico.

Abubakar Shekau tornou-se líder do Boko Haram em 2009, após o fundador Mohammed Yusuf ter sido morto por forças de segurança da Nigéria. Shekau era conhecido pela extrema brutalidade e por ter um comportamento errático.

​O Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, um ex-comandante militar que assumiu o cargo em 2015, fez da tarefa de eliminar o Boko Haram uma prioridade. Há sete anos que o grupo extremista está a tentar instaurar a rigorosa lei da sharia islâmica no nordeste do país.

O Boko Haram controlava uma faixa de terra no nordeste da Nigéria quase do tamanho da Bélgica no final de 2014, mas desde 2015 tem sido encurralado e forçado a recuar de forma progressiva pelo Exército nigeriano auxiliado por soldados de países vizinhos.

O conflito de sete anos já transpôs as fronteiras e atingiu Camarões, Níger e Chade – todos países que se juntaram à Nigéria na luta contra o Boko Haram. O grupo jihadista tem realizado de forma regular ataques contra as forças de segurança, bombardeia mercados e mesquitas, além de executar sequestros. Atentados contra mesquitas e mercados frequentados pelos muçulmanos com que o novo líder Abu Musab al-Barnawi promete agora acabar, de acordo com a entrevista publica na quarta-feira.