Uma fuga na investigação aos atentados de Paris revelou, nesta sexta-feira, os planos terroristas que Abdelhamid Abaaoud tinha para França.
 
A revista semanal francesa Valeurs Actuelles teve acesso ao depoimento de uma testemunha confidencial, que coabitaria com o cérebro dos ataques de dia 13 de novembro, em que morreram 130 pessoas.
 
Segundo o depoimento, Abdelhamid Abaaoud encontrou-se com a prima Hasna Ait Boulahcen dois dias depois dos atentados e pediu-lhe ajuda para se esconder e poder preparar novos ataques.
 
Ambos acabariam por morrer na operação policial de Saint-Denis, a 19 de novembro.
 
Abaaoud disse à prima que lhe ia dar 5.000 euros para ela comprar dois fatos e dois pares de sapatos para ele e para um cúmplice não identificado para “se integrarem” no bairro financeiro La Defense e poder levar a cabo os ataques sem darem nas vistas.
 
O procurador de Paris, François Molins, confirmou, em conferência de imprensa, os planos de Abaaoud para atacar La Defense no dia 18, cinco depois dos primeiros ataques e na véspera da sua morte.
 
Mas os planos não acabam no La Defense. Abdelhamid Abaaoud disse à prima que “iam fazer pior nos distritos próximos das comunidades judaicas e que iam rebentar com transportes e escolas”, contou a testemunha.
 
O cérebro dos atentados de Paris também se vangloriava da facilidade com que reentrou na Europa desde a Síria e via Grécia dois meses antes, aproveitando-se da confusão gerada pela crise de refugiados e também do acordo Schengen, de livre circulação.
 
Abdelhamid Abaaoud gozava mesmo com o facto de ter passado dois meses em França sem conhecimento dos serviços secretos.

"França - zero”, terá afirmado, de acordo com o depoimento.

O procurador de Paris anunciou, nesta sexta-feira, a abertura de um inquérito à fuga de informação da polícia para a comunicação social.