O presumível atirador de Paris, que foi detido esta semana, viveu durante 13 anos no Reino Unido, onde casou, informou esta sexta-feira a imprensa britânica.

Abdelhakim Dekhar, de 48 anos, mudou-se para o Reino Unido depois de ter cumprido uma pena de prisão por ter participado num assassinato múltiplo em França nos anos 90.

Segundo o jornal Times, que não cita fontes, o suspeito de ser o atirador de Paris mudou-se inicialmente para Ilford, perto de Londres, onde trabalhou num restaurante de um centro comercial antes de regressar a França.

Casou depois com uma estudante turca em Redbridge em fevereiro de 2000, de acordo com o Times e o Evening Standard. De acordo com o Times, Dekhar viveu 13 anos no Reino Unido.

A irmã, Farida Dekhar-Powell, ainda vive na localidade de Shenfield, em Essex, e é professora de francês, avançou o Evening Standard. «Deixei de falar com ele há 20 anos. Ele não é parte da minha vida», disse a irmã ao jornal.

Dekhar, que regressou em julho a França, foi detido na quarta-feira na sequência do tiroteio no jornal Libération, que deixou um fotojornalista ferido, e de disparos na sede do banco Société Générale, que não causaram vítimas, na segunda-feira, tendo depois parado um carro e forçado o seu condutor a levá-lo até ao centro da capital francesa antes de desaparecer.

O homem foi encontrado semiconsciente num veículo num parque de estacionamento subterrâneo nos subúrbios de Paris, depois de ter aparentemente tentado suicidar-se, e o seu ADN correspondia ao que foi detetado nos locais dos ataques.

A polícia francesa indicou que o autor dos ataques de segunda-feira é o mesmo que entrou na sede do canal de televisão BFMTV no dia 15 e ameaçou um jornalista com uma arma.

Dekhar foi condenado a quatro anos de prisão em 1998 por ter comprado uma arma usada no ataque de outubro de 1994, protagonizado pela estudante Florence Rey e o seu namorado Audry Maupin, que pertenciam a movimentos de esquerda, mas foi libertado pouco depois porque já tinha cumprido o tempo da pena em prisão preventiva. O ataque causou a morte a três polícias e a um taxista, num caso que apaixonou a França.

Testemunhas no julgamento descreveram Dekhar como o mentor do casal e acusaram-no de manipular os jovens.

O advogado de defesa disse à AFP que Dekhar não está a responder a questões, uma vez que invocou o direito a se manter em silêncio por não ter acesso ao seu processo.

Os investigadores descobriram na casa do presumível atirador de Paris cartas sem data que denunciam «conspirações para um regresso do fascismo nos media e bancos», disse o procurador de Paris, Frederic Molins, em conferência de imprensa.

Nas mesmas cartas, Dekhar acusa os jornalistas «de serem pagos para darem mentiras aos cidadãos» e denuncia uma desumanização de quem vive nos subúrbios.

Molins indicou que as cartas vão ser analisadas por um psiquiatra.