Realizam-se, esta terça-feira, as comemorações do 70.º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, e as atenções do mundo estarão focadas nos cerca de 300 sobreviventes que vão passar pelos portões do antigo complexo de extermínio nazi.

«O 70.º aniversário não será igual aos anteriores grandes aniversários. Temos de dizer de forma clara: é o último grande aniversário que podemos comemorar com a presença de um grande grupo de sobreviventes. As suas vozes tornaram-se no mais importante aviso contra a capacidade humana para a extrema humilhação, desprezo e genocídio», afirmou Piotr M.A. Cywiński, diretor do Memorial Auschwitz.

A grande maioria dos sobreviventes de Auschwitz-Birkenau tem mais de 90 anos.

Já esta segunda-feira, alguns dos sobreviventes visitaram o campo de concentração, onde relembraram os dias de angústia que ali passaram.



«Em breve, não serão [os sobreviventes] as testemunhas daqueles anos, mas nós, as gerações do pós-guerra, que vão passar este conhecimento horrível e as esmagadoras conclusões que dai resultam», referiu o representante, em declarações publicadas no site do Museu de Auschwitz-Birkenau, uma das entidades responsáveis pela organização das comemorações.

Esta terça-feira, quando se assinala o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, um dos momentos mais emotivos será quando os sobreviventes passarem pelo denominado «Portão da Morte» (o portão de entrada do complexo), depositarem flores e acenderem velas em frente ao muro do bloco 11 do campo de concentração, conhecido como o Muro da Morte, em memória das vítimas.

Vladimir Putin ausente das celebrações

A par dos sobreviventes, representantes de mais de 40 países, incluindo Portugal, confirmaram a presença nas cerimónias.

A representação portuguesa nas cerimónias estará a cargo do secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães. Fonte do gabinete do secretário de Estado confirmou à Lusa que Maçães vai participar na cerimónia de colocação de velas, não estando prevista qualquer intervenção.



O nome de Portugal irá figurar numa placa, descerrada durante as cerimónias, em que vão constar os vários países que apoiam a preservação das instalações do antigo campo de concentração e de extermínio, referiu a mesma fonte.

Na sexta-feira, a lista de presenças divulgadas pelo Museu de Auschwitz-Birkenau indicava 11 chefes de Estado europeus, entre eles da Alemanha, França, Polónia, Áustria e Ucrânia.

A ausência do Presidente russo, Vladimir Putin, está a marcar os preparativos das comemorações que assinalam a chegada, em 1945, das tropas soviéticas ao complexo nazi.

O Kremlin lamentou que Putin não tenha recebido um «convite oficial» para as cerimónias, tendo posteriormente confirmado que a Rússia estará representada pelo chefe da administração presidencial, Serguei Ivanov.

Na sexta-feira, o chefe da diplomacia polaca, Grzegorz Schetyna, esclareceu que nenhum convite oficial foi endereçado para esta ocasião, precisando que as informações sobre as comemorações foram transmitidas as embaixadas e que os convites não tinham um destinatário específico.

O evento conta igualmente com cabeças coroadas: os reis da Bélgica (Felipe e Matilde) e da Holanda (Guilherme Alexandre e Máxima).

Os Estados Unidos estarão representados pelo secretário do Tesouro, Jack Lew, e o Vaticano pelo cardeal polaco Stanisław Dziwisz, que foi secretário pessoal do Papa João Paulo II durante 39 anos.

complexo mais mortífero da política de extermínio do regime nazi

O campo Auschwitz-Birkenau foi construído pelas forças alemãs em 1940 para ser um lugar de encarceramento de cidadãos polacos. A partir de 1942, o local transformou-se no complexo mais mortífero da política de extermínio do regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial.



Entre 1940 e 1945 terão perdido a vida neste local mais de 1,1 milhões de pessoas, a maioria judeus, mas também polacos, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos e prisioneiros de outras etnias.

Os nazis iniciaram um processo de evacuação de Auschwitz em 17 de janeiro de 1945, quando estariam no campo de concentração cerca de 56 mil prisioneiros. Entre nove e 15 mil pessoas terão morrido durante as “Marchas da Morte” da evacuação.

Precisamente 10 dias depois, o complexo de concentração e de extermínio de Auschwitz-Birkenau, no sul da Polónia (a cerca de 60 quilómetros de Cracóvia), foi libertado pelas forças do Exército Vermelho (antiga União Soviética).

O museu de Auschwitz-Birkenau foi aberto em 1947 nas instalações do antigo campo de concentração, que foi declarado Património da Humanidade da Unesco em 1979, passando a ser um dos principais símbolos do Holocausto em todo o mundo.

Atualmente, cerca de 1,5 milhões de pessoas de todo o mundo visitam anualmente o museu.

Em dezembro de 2009, o letreiro do infame «Portão da Morte» com a inscrição «Arbeit Macht Frei» («O trabalho liberta») foi roubado.



As autoridades polacas conseguiram prender e condenar três dos cinco envolvidos no roubo e recuperaram a inscrição, partida em três pedaços. O letreiro foi posteriormente devolvido ao Museu de Auschwitz.