A Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), principal partido de oposição, rejeitou os resultados das eleições gerais do passado dia 15 em Moçambique, considerando-os fraudulentos e garantiu que vai impugnar a votação.

 

«Não reconhecemos estes resultados, porque foram fraudulentos, com certeza que vamos impugnar», disse o mandatário da Renamo, André Majibire, aos jornalistas, imediatamente após o anúncio pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) dos resultados preliminares das eleições gerais.

 

Por sua vez, a Frelimo, partido no poder, considera que a sua vitória nas eleições reflete «os resultados que o povo quis», exortando todos os partidos políticos a encararem o desfecho com serenidade.

 

«Estes são os resultados que o povo moçambicano quis e penso que, nós, os políticos, temos é que encará-los com serenidade e com responsabilidade», disse a mandatária da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), Verónica Macamo, logo após o anúncio dos resultados eleitorais pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

 

Congratulando-se repetidamente com a vitória, Macamo disse que a Frelimo e o seu candidato presidencial, Filipe Nyusi, vão retribuir a confiança do eleitorado com trabalho visando criar o bem-estar para o povo.

 

Filipe Nyusi agradeceu a vitória nas eleições e apontou a paz e a estabilidade como condições principais para o desenvolvimento do país.

 

«A paz e a estabilidade são condições principais para o desenvolvimento de Moçambique, o grande objetivo do ciclo que queremos liderar é atingir o bem-estar do povo moçambicano», começou por dizer Nyusi, na sua primeira reação na sede nacional da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), após o anúncio hoje dos resultados oficiais das eleições gerais.

 

«Permitam-me do fundo do meu coração saudar os outros concorrentes pelo espírito de patriotismo e de moçambicanidade que demonstraram desde o recenseamento eleitoral. Que continue esse espírito, porque vai permitir desenvolver o nosso país», disse o candidato da Frelimo.

 

A Frelimo ganhou as eleições gerais em Moçambique, com uma maioria absoluta de 55,97% no parlamento, e o seu candidato, Filipe Nyusi, venceu as presidenciais com 57,03%, segundo os resultados oficiais preliminares divulgados esta quinta-feira pela CNE.

 

Sete dos 17 membros da CNE votaram contra os resultados das eleições

 

Sete dos 17 membros da Comissão Nacional de Eleições de Moçambique (CNE) votaram contra os resultados das eleições, segundo informou à Lusa Fernando Mazanga, membro da CNE pela Renamo.

 

«Dos 17 vogais, sete votaram contra e apresentámos a respetiva declaração de voto vencido», disse Mazanga, assumindo que votou contra a deliberação dos resultados das eleições gerais de 15 de outubro.

 

«Respeitando os ditames da minha consciência, votei contra estes resultados em sede própria da sua centralização, por vários motivos que eu fiz chegar à CNE através de uma declaração de voto de vencido, para profundamente manifestar a minha discordância», declarou Mazanga, ex-porta-voz da Renamo e membro da CNE pelo movimento.