Centenas de manifestantes entraram no Parlamento do Burkina Faso para protestar contra a planeada mudança na Constituição que permitiria ao Presidente, Blaise Compaore, estender o seu mandato, que dura há 27 anos, por mais cinco.

 

 

De acordo com o relato da AFP, a polícia teve de usar gás lacrimogéneo para impedir os manifestantes de entrarem na Assembleia Nacional antes da votação sobre esta alteração constitucional, mas ainda assim cerca de 1.500 pessoas conseguiram romper a barreira policial e entrar no edifício. No entanto, na altura da invasão a maioria dos deputados ainda não tinha chegado ao parlamento.

 

Os manifestantes saquearam os gabinetes, incendiando documentos e roubando equipamento informático, e incendiaram carros no exterior do edifício.

 

 

Depois de atacarem o parlamento, os manifestantes seguiram para o gabinete do primeiro-ministro, enquanto um helicóptero do governo sobrevoava a área disparando bombas de gás lacrimogéneo.

 

 

«Fizemos isto porque Blaise está a tentar ficar por tempo demais. Estamos cansados dele», disse Seydou Kabre, um manifestante no meio da multidão a caminho do gabinete do primeiro ministro. «Queremos mudança, ele tem que sair!».

 

Os manifestantes invadiram ainda a televisão local e conseguiram tirar o canal do ar. Os soldados que fazia vigilância ao local atiraram para o ar para tentar afastar a multidão, mas tiveram de dispersar perante a fúria da multidão.

 

Horas depois do início das manifestações, o presidente Blaise Compaore apelou à «calma e serenidade» no Twitter.

 

 

Governo anula votação de lei por causa dos confrontos

 

O governo de Burkina Faso pediu calma à população decidiu anular a votação prevista para esta quinta-feira, depois dos manifestantes terem ateado fogo ao prédio da Assembleia Nacional.

 

Os protestos contra a reforma constitucional resultaram em confrontos entre os manifestantes e oficiais do exército nacional, com o registo da morte de um homem na capital Uagadugu.