O Presidente do Burkina Faso, Blaise Compaoré, decretou esta quinta-feira o estado de emergência no país e dissolveu o governo, em reação a protestos em massa sem precedentes contra uma revisão constitucional desenhada para prolongar o mandato presidencial.

 

Compaoré, que tomou a decisão, anunciada pelos media locais, depois de uma reunião do conselho de ministros do Burkina Faso, disse que está disposto a negociar com a oposição e que o general do exército Gilbert Diendere foi encarregado de restabelecer a ordem.

 

Na sequência dos protestos e da dissolução do parlamento o chefe do exército, general Honore Traore, anunciou que vai ser criado um governo de transição, ainda sem líder anunciado, e que não deve durar mais de 12 meses.

 

«Um corpo de transição vai ser criado após consulta com todos os partidos. O regresso à ordem constitucional é esperado em tempo não superior a 12 meses», disse.

 

Honore Traore também anunciou o recolher obrigatório para toda a população do país, que deve manter-se em casa entre as 19:00 e as 6:00, dado o estado de emergência.

 

Segundo a agência Reuters, o líder da oposição, Zephirin Diabre já rejeitou o estado de emergência ordenado por Blaise Campaore, e exige a demissão do presidente do Burkina Faso.

 

«O estado de emergência é inaceitável. Apelamos aos cidadãos que mostrem que sã contra. A resignação do presidente Blaise Compaore é a única coisa que pode trazer paz ao país», disse Diabre à rádio local «Omega».

Portugueses na capital estão recolhidos em casa


As duas dezenas de portugueses residentes na capital do Burkina Faso encontram-se bem e optaram por seguir as recomendações do governo local para permanecer em casa.

«As coisas estão tranquilas e há recolher obrigatório», afirmou à Lusa uma das portuguesas expatriadas no país.

«O que houve de problemas foi durante o dia e em zonas específicas e localizadas», disse a emigrante portuguesa, salientando que as duas dezenas de expatriados nacionais no país estão a seguir as recomendações das representações internacionais.

«As embaixadas recomendam que estejamos em casa, por uma questão de segurança», afirmou a expatriada, que não se quis identificar mas assegurou que a situação «está calma» e «as crianças já brincaram na rua durante a tarde».

No entanto, por uma «questão de precaução», os portugueses optaram por ficar em casa, até que a situação no país acalme.

«São situações políticas e estamos à espera que se resolvam», acrescentou.

Os protestos contra Blaise Compaoré, que tomou o poder em 1987 com um golpe de Estado, eclodiram na terça-feira quando centenas de milhares de pessoas se manifestaram nas ruas da capital, Ouagadougou, unidas na palavra de ordem «Vinte e sete anos é suficiente».

Hoje, as manifestações alastraram a outras cidades do Burkina Faso, e degeneraram em violência em Ouagadougou quando centenas de pessoas tomaram de assalto e incendiaram o parlamento, que se preparava para votar a emenda constitucional que iria perpetuar Compaoré no poder.

Perante a violência, o governo anulou o debate e votação da emenda constitucional e apelou para a «calma e contenção» da população.

A figura da limitação de mandatos presidenciais que Blaise Compaoré pretende agora eliminar foi introduzida na constituição do Burkina Faso em 2005.