A líder da Frente Nacional francesa, Marine Le Pen, foi formalmente acusada no caso dos fundos do Parlamento Europeu que alegadamente usou para pagar a uma assistente. Em causa está um crime de “abuso de confiança”.

De acordo com o Le Figaro, a eurodeputada francesa foi ouvida, esta quinta-feira, num inquérito relacionado com empregos fictícios para os funcionários do partido que lidera, pagos com dinheiros europeus.

Marine Le Pen já anunciou que vai recorrer da decisão. O advogado da líder da Frente Nacional, Rodolphe Bosselu, disse aos jornalistas que “já na segunda-feira” vai ser apresentado um recurso contra uma decisão que, aos olhos de Le Pen, viola o princípio da separação dos poderes.

Marine Le Pen faz parte do grupo de 17 eurodeputados da Frente Nacional, entre os quais estão também o pai Jean-Marie Le Pen e o companheiro Louis Alliot, visado por um inquérito aberto em França, em 2015, e que envolve cerca de 40 assessores.

A investigação pretende apurar se a Frente Nacional pôs em prática um sistema para remunerar os seus quadros com dinheiro da União Europeia, pagando-lhes como se fossem assessores dos eurodeputados, embora o seu trabalho não tivesse ligação às atividades do Parlamento Europeu.

De acordo com o Le Figaro, os prejuízos para o Parlamento Europeu, ascendem a cerca de cinco milhões de euros, entre 2012 e 2017.

A justiça francesa pediu no final de março ao Parlamento Europeu para retirar a imunidade a Marine Le Pen, que no dia 10 desse mês tinha recusado a convocatória para comparecer perante um juiz, tendo na altura invocado a respetiva imunidade e denunciado uma “operação política”.

O inquérito preliminar teve início a 22 de Março, na Procuradoria de Paris, numa investigação que começou com uma denúncia da eurodeputada da Frente Nacional Sophie Montel. O inquérito preliminar visava 19 eurodeputados francesesdos quais seis do partido centrista MoDem, liderado por François Bayrou.

O caso já levou a que precisamente três ministros centristas se demitissem, há uma semana, do governo de Emmanuel Macron. A saber, o próprio François Bayrou (ministro da Justiça), Marielle de Sarnez (Assuntos Europeus) e Sylvie Goulard (Justiça).