O Reino Unido foi chamado às urnas, esta quinta-feira, para decidir a permanência na União Europeia. A votação fechou pelas 22:00 e a sondagem do YouGov dá vitória à continuidade no clube dos 28.

A empresa de sondagens refere que 52% dos britânicos votaram pela permanência na Europa, enquanto 48% decidiram sair. Não é a tradicional projeção à boca das urnas a que estamos habituados: a YouGov selecionou um grupo de eleitores que questionou nos últimos dias.

A participação eleitoral rondou os 84%.

Enquanto os votos estão a ser contabilizados, nas redes sociais começam a surgir reações à possível vitória pela continuação na UE. O primeiro-ministro, David Cameron, agradeceu aos britânicos por terem tornado o Reino Unido mais forte, seguro e melhor dentro da Europa.

 

 

Nigel Farage, líder do partido UKIP, reagiu às sondagens no momento em que começam a surgir os primeiros resultados. Sem admitir a derrota, o eurocético afirmou que a batalha pode estar perdida, mas a guerra não.

Foi uma longa campanha, no meu caso já lá vão 25 anos, mas independentemente do que aconteça esta noite, ou de quem vença esta batalha, uma das coisas de que tenho total certeza é que vamos vencer esta guerra", disse Farage em declaração aos jornalistas.

O Reino Unido é composto pela Irlanda do Norte e a Grã-Bretanha, da qual fazem parte a Escócia, a Inglaterra e o País de Gales. Para o referendo sobre um eventual brexit, foram a votação 382 áreas. Para responder à pergunta: "Deve o Reino Unido permanecer como membro da União Europeia ou abandonar a União Europeia?" estavam inscritos 46,5 milhões de eleitores. As opções de resposta resumiam-se a duas: "permanecer na União Europeia" ou "sair da União Europeia".

Gibraltar, colónia britânica situada no extremo sul da Península Ibérica, foi a primeira área de voto a divulgar o resultado, com uma esmagadora vitória da permanência na UE: 95,9% contra 4,1%.

Em Newcastle, apesar dos resultados serem mais equilibrados, os britânicos também mostraram preferência pela UE: 50,7% a favor e 49,3% votaram pela saída. Em South Tyneside, localidade perto de Newcastle, 38,0% querem permanecer na Europa, mas a maioria, 62,0%, votou a favor do Brexit.

No arquipélago de Órcades, localizado ao largo do Norte da Escócia, 63,2% dos britânicos querem continuar na Europa e 36,8% preferem a independência. Em Clackmannanshire, uma das 32 subdivisões administrativas da Escócia, 57,8% dos votantes decidiram pela permanência na UE contra 42,2 que querem sair. Noutra região escocesa, as Ilhas de Shetland, arquipélago a nordeste de Órcades, 56,5% são a favor da Europa e 43,5% votaram pelo Brexit. Em West Dunbartonshire, na Escócia, a permanência no clube dos 28 venceu com 62,0% contra 38,0.

Em Dundee, a quarta maior cidade da Escócia, o sim pela continuação na UE também venceu: 59,8% querem ficar e 40,2% votaram pela saída. Nas Ilhas Ocidentais da Escócia a continuidade na UE venceu com 55,2% contra 44,8%. Em East Ayrshire, localidade escocesa, os resultados foram semelhantes: 58,6% votaram a favor da Europa contra 41,4% que prefere sair.

Nas ilhas Scilly, sudoeste da península da Cornualha, os britânicos também votaram a favor da Europa: 56,4% contra 43,6%.

Sunderland, a nordeste de Inglaterra, foi a primeira área a revelar-se a favor da saída da União Europeia. Contabilizados os votos, 61,3% dos britânicos querem abandonar o clube dos 28, mas 38,7% são a favor da manutenção na UE. Também a cidade de Swindon, sudeste de Inglaterra, votou pela saída do Reino Unido da União Europeia: 45,3% querem ficar e 54,7% preferem a independência.

Em Broxbourne, localidade perto de Londres, o referendo dá a vitória à saída do Reino Unido: 33,7% quer ficar contra 66,3%. Em Kettering, cidade localizada ao norte do condado de Northamptonshire, os britânicos também votaram a favor do Brexit: 39,0% querem permanecer na UE e 69,0% preferem sair.

Durante a contagem dos votos foi realizado um minuto de silêncio pela deputada britânica assassinada na última sexta-feira, 17 de junho. Jo Cox estava a escrever um relatório sobre o aumento da islamofobia e sobre os perigos do nacionalismo radical agressivo. O documento iria ser entregue no Parlamento britânico.

Os resultados oficiais do referendo devem ser conhecidos por volta das 6:00 desta sexta-feira.