A televisão norte-coreana KCTV anunciou esta quarta-feira que o projétil lançado pelo regime de Pyongyang é um novo modelo de um míssil balístico intercontinental (ICBM), batizado de Hwasong-15, capaz de alcançar “todo o território dos Estados Unidos”.

Tal como é hábito, coube à veterana pivô Ri Chun-hee fazer o anúncio, em tom solene, do “bem-sucedido” lançamento que foi “autorizado e presenciado pessoalmente pelo líder” Kim Jong-un, o primeiro que o regime de Pyongyang leva a cabo após dois meses e meio.

O míssil foi disparado em direção a leste a partir da província de Pyongan do Sul, a cerca de 25 quilómetros da capital norte-coreana, Pyongyang, por volta das 03:17 (18:17 de terça-feira em Lisboa).

O projétil percorreu cerca de 960 quilómetros, atingindo uma altitude de mais de 4.000 quilómetros, antes de se despenhar no Mar do Japão (denominado de Mar do Leste nas Coreias).

Tal representa a máxima altitude alcançada até à data por um míssil norte-coreano e sinaliza um novo e perigoso avanço do programa norte-coreano.

O Pentágono tinha já adiantado a possibilidade de se ter tratado de um míssil balístico intercontinental (ICBM), pelo que este é o terceiro deste tipo disparado pela Coreia do Norte depois dos dois lançados no passado mês de julho.

Mais sanções

Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão já reagiram ao mais recente lançamento, acordando impulsionar mais sanções internacionais contra Pyongyang. Washington, Seul e Tóquio pediram mesmo uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que pode realizar-se hoje mesmo em Nova Iorque.

O presidente dos EUA conversou ao telefone com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, na sequência do lançamento de um míssil por parte de Pyongyang, o primeiro em dois meses e meio, para analisar a situação e debater eventuais respostas, informaram os governos de Tóquio e de Seul.

Donald Trump e o primeiro-ministro japonês acordaram “estreitar a sua colaboração” para fazer frente ao novo desafio norte-coreano, assim como “intensificar a pressão” sobre Pyongyang para forçar a Coreia do Norte a abandonar os programas nuclear e de mísseis, assinalou Abe, durante uma intervenção proferida no parlamento nipónico.

Os dois líderes também “concordaram com a necessidade de a China desempenhar um papel mais significativo” na hora de pressionar a Coreia do Norte, e defenderam a aposta em novas medidas punitivas contra Pyongyang no Conselho de Segurança das Nações Unidas, de acordo com o chefe de Governo japonês.

O presidente dos Estados Unidos e o homólogo sul-coreano também acordaram impulsionar sanções adicionais através do Conselho de Segurança da ONU, informou um porta-voz do executivo sul-coreano à agência de notícias Yonhap.

A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Heather Nauert anunciou que a Casa Branca vai defender a adoção de novas sanções contra a Coreia do Norte após o mais recente ensaio.

China expressa "profunda preocupação"

O Governo chinês expressou a sua “profunda preocupação” com o último míssil balístico intercontinental lançado na quarta-feira pela Coreia do Norte, capaz de transportar uma grande ogiva nuclear e chegar a todo o território dos Estados Unidos.

"A China expressa profunda preocupação e oposição ao lançamento (...) e urgentemente exorta a Coreia do Norte a atender as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e parar as ações que levam tensões na península", afirmou hoje Geng Shuang, porta-voz dos Negócios Estrangeiros chinês.

"Continuaremos a defender a desnuclearização da península, bem como uma solução pacífica para a questão através do diálogo e da negociação", acrescentou.

Geng sublinhou que Pequim sempre cumpriu as suas obrigações internacionais rigorosamente e que a via militar "não é a melhor alternativa" para a resolução da crise norte-coreana.

Míssil “põe em perigo a segurança” regional e internacional

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, condenou esta quarta-feira o lançamento de um míssil balístico da Coreia do Norte expressando solidariedade para com os países vizinhos: Japão e Coreia do Sul.

No comunicado emitido esta madrugada, a diplomacia francesa volta a defender a imposição de sanções contra Pyongyang.

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês recorda também que o Japão e a Coreia do Sul “estão na primeira linha da ameaça” das ações norte-coreanas.

Para Jean-Yves Le Drian, “a manutenção do programa balístico norte-coreano viola as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas” acrescentando que constitui uma violação contra as políticas de não-proliferação e que “põe em perigo a segurança” regional e internacional.

Deste modo, Le Drian reitera que “mais do que nunca este é o momento em que é preciso reforçar a pressão sobre a aplicação de sanções”.

Também a Austrália se mostrou “profundamente” preocupada pelo lançamento do míssil balístico.

“Condenamos as ações da Coreia do Norte e pedimos ao regime [de Pyongyang] que cesse a sua conduta ilegal e provocadora e que regresse à mesa de negociações”, realçou ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, numa reunião, em Camberra, com membros da Associação de Imprensa Estrangeira, citada pela agência de notícias espanhola Efe.

Bishop também reiterou o seu apoio às pressões diplomáticas e económicas da comunidade internacional para que a Coreia do Norte volte ao diálogo e “às medidas militares adotadas pelos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul para dissuadir a Coreia do Norte para que não cometa atos irracionais e ameaçadores”.

A ministra dos Negócios Estrangeiros australiana detalhou ainda que o Governo de Camberra aplicou sanções unilaterais adicionais contra 11 pessoas e nove entidades do país asiático.