Um dos suspeitos da violação coletiva de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro, um caso que chocou o Brasil, foi libertado, depois de ter sido ouvido pela polícia no sábado. De acordo com a polícia militar, o suspeito, cuja identidade não foi revelada, foi conduzido à esquadra para interrogatório, enquanto cerca de 70 polícias lançaram uma operação na favela São José Operário (zona oeste) para tentar identificar os autores do crime que chocou o país.

O suspeito foi libertado por falta de provas, segundo o jornal O Estado de São Paulo, não havendo à data suspeitos detidos. Outros dois suspeitos foram ouvidos na sexta-feira.

Também na sexta-feira, a polícia localizou a casa onde a jovem terá sido vítima dos abusos. Na habitação, a polícia apreendeu roupas e material usado para fabrico de drogas.

Este sábado, a advogada da jovem anunciou que vai pedir a substituição do delegado responsável pelo caso. A advogada alega que, durante o último depoimento da jovem, o delegado Alessandro Thiers deixou a jovem acuada.

“Havia três homens no ambiente e o delegado, ainda por cima, fez a pergunta se ela tinha hábito de fazer sexo em grupo”, afirmou a jurista, citada pelo portal G1.

A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que está a investigar o caso, assegura que a investigação do caso tem sido feita de forma técnica e imparcial e com a colaboração da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).

“A DRCI informou que durante a oitiva da vítima ela confirmou que sofreu o estupro e, lhe foi perguntado se tinha conhecimento que havia um outro vídeo sendo divulgado em medias sociais em que ela apareceria mantendo relações sexuais com homens, conforme relato de uma testemunha. A vítima informou que desconhece o vídeo e que não é verdadeiro. A mãe da vítima acompanhou todo o depoimento, sendo que, em determinado momento, houve discordância entre a advogada e o desejo da mãe da vítima. Por esta razão a oitiva da mãe foi feita sem a presença da advogada”, diz a delegacia, em comunicado.


Na última sexta-feira, um jovem assumiu ser o responsável pela divulgação, na internet, das imagens da adolescente e assumiu também ter tido relações com ela. Identificado como Raí de Souza, o rapaz não estava entre os suspeitos apontados até então pela polícia. O jovem apresentou-se perante as autoridades, juntamente com Lucas Perdomo Duarte Santos, o jogador de futebol que a adolescente disse à polícia ser seu namorado e com quem ela teria saído na noite anterior ao crime, mas que nega ter um relacionamento com a jovem.